Dirty Honey | Monsters of Rock 2026 (SP)
Aquele hard rock direto, grudento e sem frescuras
Texto por: Pedro Delgado (Rato de Show) - @ratodeshow
Fotos por: Ricardo Matsukawa
Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação
Continuando nossa sequência de coberturas do Monsters of Rock 2026, vamos falar agora da segunda banda do dia, entrando às precisas 12h30, após uma divertida e sempre bem-humorada introdução feita por um dos mestres de cerimônia do dia, Walcir Chalas, proprietário da Woodstock Rock Store, um dos maiores marcos paulistas e nacionais do rock e Eddie Trunk, famoso repórter, radialista e mente por trás do talk show americano, Trunk Nation. Falo, é claro, dos americanos do Dirty Honey, que também fizeram sua estreia pelo Brasil, mais precisamente poucos dias antes, junto ao Jayler, no esquenta que rolou pela Áudio.
E antes que eu me esqueça, se você for do tipo que sente preguiça de ler, recomendamos nossa resenha em live feita com o parceiro Porque!Metal, junto aos queridos Marcos (After do Caos) e Gabriel Buxini (Emphuria).
A banda, que conta com mais experiência de estrada do que a anterior, mas ainda em desenvolvimento, foi também aquela com o logo mais bonito do dia (sério, procurem!). Não tem nada que grite mais hard rock e sexy do que ter o nome da sua banda em um design de uma boca carnuda. O designer que fez isso está de parabéns.
O Dirty Honey veio na malemolência do hardzão, com elementos contemporâneos, cheio de atitude, mas nem tantas calças de tigrinho (ainda que uma mais apertadinha). Formada em 2017, em Los Angeles, a banda conta com os membros fundadores Marc LaBelle nos vocais, John Notto na guitarra, Justin Smolian no baixo e, fechando a trinca de “J”s, Jaydon Bean assumindo a bateria desde 2023.
Mais desinibidos e até exibidos, fizeram uma boa apresentação, com um repertório repleto de seus principais hits e músicas que iam das mais energéticas às mais apaixonantes, passando também pela sofrência, apoiados nas faixas de seu auto-intitulado de 2021 e
Can’t Find the Brakes (2023).
O grande ápice — e o motivo de eu dizer na headline que foi um som sem frescuras — foi o movimento do vocalista Marc LaBelle de descer para o público não uma, mas duas vezes. Com aqueles refrões chicletes e repetitivos, que na terceira vez você já está cantando junto, o músico soube usar muito bem esses artifícios para envolver o público a todo momento e fazer todos cantarem juntos. Só isso já havia trazido aquela energia de arena, mas ter ido ao público foi, de fato, a grande cereja do bolo, que converteu imediatamente o público a favor da banda.
Com aquele microfone acoplado a uma grande haste de apoio, ele não só girava de um lado para o outro como um bastão, mas também passava o microfone pela galera, para que todos pudessem gritar, cantar e interagir junto ao Dirty Honey ao longo da performance.
Tranquilamente um dos momentos mais icônicos do dia, a diversão era tamanha que o som se tornava mais uma parte desse todo do que a coisa em si, se é que me entendem. O que não significa — é claro — que, no departamento da cozinha, a banda deixasse a desejar. Muito pelo contrário.
Ritmo puramente dançante, fosse na relação entre baixo e bateria, fazendo os corpos pela multidão dançar, ou na guitarra distorcida e cheia de riffs vivos e solos marcantes, daqueles que caberiam em uma versão de Guitar Hero — tudo se envelopava ainda na voz potente e levemente rasgada de Marc, que lembra nomes como Jay Buchanan, Dan McCafferty ou o próprio Axl. O que, somado à cabeleira de Justin, só fazia faltar um chapéu para termos uma versão mais jovem do Guns.
Entre as principais faixas da banda, como "When I’m Gone", "Rolling 7s", "California Dreamin’" e "Don’t Put Out The Fire", o grupo ainda presenteou o público com uma música exclusiva, ainda não disponível, "Lights Out", que fará parte de seu vindouro terceiro disco de inéditas, ainda em desenvolvimento. Uma forma de construção de afinidade com o público que, assim como no caso do Jayler, pela recepção da galera — já maior do que no início, inclusive — mostra que são outra banda que poderia facilmente retornar em breve e ser muito bem recebida.
Subindo a barra novamente, a apresentação do Dirty Honey caiu como uma luva, apresentando outra banda pouco conhecida e elevando os ânimos para a continuação que viria logo na sequência com o mago dos riffs, Yngwie Malmsteen.
Mas esta é uma história para a próxima publicação. Até lá.
Acesse a cobertura do Jayler clicando aqui.
Setlist Jayler
- Won’t Take Me Alive
- California Dreamin'
- Heartbreaker
- The Wire
- Don't Put Out the Fire
- Another Last Time
- Lights Out
- Guitar Solo
- When I'm Gone
- Rolling 7s










