Jayler | Monsters of Rock 2026 (SP)
Carregando a tocha da chama setentista adiante
Texto por: Pedro Delgado (Rato de Show) - @ratodeshow
Fotos por: Ricardo Matsukawa
Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação
Entra ano e sai ano e uma das poucas certezas que ficam é a de que toda edição do Monsters of Rock sempre se reflete em uma intensa e única experiência dentro do calendário de shows do brasileiro.
Desde 1994 sendo referência no setor, o festival já trouxe nomes como Black Sabbath, Ozzy, Slayer, Kiss, Alice Cooper, Faith No More, Aerosmith, Judas… acho que nem preciso continuar, não é mesmo?
Entre algumas pausas ao longo dos anos, desde 2023, com sua 7ª edição, o Monsters voltou com tudo, com sua 8ª acontecendo em 2025 e, já neste ano, a 9ª edição, reafirmando também seus 31 anos de história.
A princípio, o line-up dividiu opiniões, com o anúncio do Guns N’ Roses como principal headliner, menos de um ano após uma já grande passagem da banda pelo Brasil. Para essa edição, se juntaram a eles ainda as bandas: Jayler, Dirty Honey, Yngwie Malmsteen, Halestorm, Extreme e Lynyrd Skynyrd.
Mas e aí, será que, apesar dos haters, o festival entregou uma boa experiência? Pois fique com nossa cobertura completa logo abaixo, onde neste post iremos destrinchar a participação dos estreantes do Jayler.
E antes que eu me esqueça, se você for do tipo que sente preguiça de ler, recomendamos nossa resenha em live feita com o parceiro Porque!Metal, junto aos queridos Marcos (After do Caos) e Gabriel Buxini (Emphuria).
A banda mais jovem da edição, tanto em idade quanto em formação (se juntaram em 2022), com aquele visual lisérgico e transpirando uma sonoridade setentista. Vi muitas comparações ao Led Zeppelin sendo feitas a eles — algo que os próprios recebem muito bem — e que acho natural, mas que, ao mesmo tempo, não exprime toda a potencialidade da banda.
Não pela sonoridade, mas pela energia, pelas pautas e pela vivência. Não é sobre reprodução, mas perpetuidade. E o que dá para dizer é que a base vem forte. O mais puro rock n’ roll, daqueles em que você abre um sorriso ao ver o sorriso no rosto da banda.
Mesmo em um sol quente e cruel das 11h30 e com um público bem reduzido, a banda britânica formada por
James Bartholomew
nos vocais e guitarra,
Tyler Arrowsmith
na guitarra,
Ricky Hodgkiss
no baixo e
Ed Evans
na bateria, não deixaram a peteca cair, fazendo jus a todos os elogios que corriam soltos após a apresentação realizada junto ao
Dirty Honey na
Áudio
como parte do esquenta do Monsters no meio daquela semana.
Abriram com "Down Below", seguido de "The Gateway " e seu maior hit, "No Woman". Três músicas que, logo de cara, definiram bem a estética e a sonoridade da banda e que impressionaram pelo profissionalismo do quarteto, que ainda está em sua infância, vide que nem mesmo seu álbum de debut foi lançado.
Ritmo, baixo marcante, guitarras metalizadas e aqueles solos característicos, no maior estilo tradicional possível, foram alguns dos elementos presentes na apresentação.
Outro, veio na sequência, com “Riverboat Queen”. A faixa, com aquele clima de estrada, ganhou ainda mais força ao vivo, especialmente com a performance de James na gaita, adicionando uma camada orgânica que reforçou a conexão com o público.
E justamente o frontman foi quem roubou a atenção: entre interações honestas e divertidas e toda a potência de sua voz estridente e galvanizada, bastava ele abrir a boca e parecia que, magicamente, as pernas e os corpos começavam a se mexer, entrando na onda.
Louros também para toda a banda, que, bem equilibrada e mostrando um som no ponto, evidenciou o porquê de já merecer ocupar as fileiras de um Monsters, sendo pequenos monstrinhos que, nas palavras do querido Buxini, são essenciais para servirem como identificadores para a nova geração e, consequentemente, não só realizarem a manutenção do estilo que tanto amamos, como virem a ser, no futuro, as feras que hoje olhamos para trás e temos tão claras para nós pelo impacto ao longo dos anos.
Sem sombra de dúvidas, o Jayler foi uma daquelas bandas que ninguém conhecia, mas das quais todos saíram querendo um pouco mais. Quem sabe, após o primeiro álbum nascer, eles vejam no Brasil um lugar de retorno — afinal, a vinda deles aqui marcou também a primeira excursão da banda para fora do país.
Um feito que certamente ficará marcado para eles também e que possivelmente irá iniciar um longo relacionamento com as terras tupiniquins.
Uma ótima forma de iniciar a 9ª edição do Monsters of Rock!
Continuaremos em breve com a cobertura da segunda banda, Dirty Honey.
Setlist Jayler
- Down Below
- The Getaway
- No Woman
- Riverboat Queen (com solo de harmônica)
- Lovemaker (com introdução da banda)
- I Believe to My Soul (cover de Ray Charles)
- Need Your Love
- Over the Mountain
- The Rinsk










