Roo Panes (SP)
"Matando a saudade do público brasileiro após 7 anos, músico inglês ofereceu uma noite verdadeiramente emocionante."
Texto por: Daniel Agapito (Chato de Show) - @dhpito
Fotos por: Daniel Agapito (Chato de Show) - @dhpito
Agradecimentos: Sellout Tours e Tedesco Mídia
Frequentando majoritariamente shows de metal, é até estranho entrar numa casa de shows num sábado e ver um monte de gente arrumada, de camiseta branca, conversando calmamente, enquanto dividem taças de vinho branco na pista, mas foi isso que rolou no último dia 28. Ao invés de apostar no peso e na fumaça, tal qual o Electric Wizard, também de Dorset, o Roo Panes faz um som muito mais direcionado para o público de gente normal, um folk moderno muito trabalhado na emoção.
Com um arsenal invejável de violões, uma voz que parece ter vindo diretamente do paraíso e uma habilidade absurda de escrever letras que realmente pegam fundo, Panes se destacou com faixas como “Tiger Striped Sky” e “Little Giant”. Isso lhe deu diversas oportunidades ao longo de sua carreira, desde ser um dos primeiros artistas a gravar o Burberry Acoustic, praticamente um Acústico MTV de grife, além de se tornar trilha de novela aqui pelas terras tupiniquins, com “Lullaby Love” sendo tema do casal de
Maria da Paz (Juliana Paes) e
Amadeu (Marcos Palmeira) na ‘Dona do Pedaço’.
Antes de falar da performance do headliner, vale - e muito - mencionar a performance incrível de Francisca Barreto. Multi-instrumentista majoritariamente conhecida pelo violoncelo, Chica já tocou em diversos palcos pelo mundo, inclusive, sendo a dupla do cantor-compositor irlandês Damien Rice em uma de suas turnês pelo mundo. Na Rockambole, seu repertório foi bastante variado, mostrando sua vasta gama de influências musicais. Ainda preparando seu primeiro álbum, tivemos direito às interpretações de clássicos como “Ponta de areia”, do Milton Nascimento e “Little Green”, da Joni Mitchell, uma das grandes influências de Chica.
Quem via ela toda contida, quase tímida no palco, não imagina a voz realmente angelical que ela tem. Desde os primeiros acordes, ficou evidente que ela estava muito feliz de realizar a abertura do show, e como a própria disse (algumas vezes), ficou surpresa com a receptividade do público. Era difícil não se impressionar com suas habilidades, demonstradas da melhor forma em “Gosto meio doce”, fruto de sua parceria com Nina Maia e “Habana”, música cantada em espanhol, composição de seu professor, Yaniel Matos.
Seu show começou com ela assumindo o violoncelo, cujo som bradava pelo teatro, deixando boa parte do público vidrado no palco. Não só na imponência do cello veio o impacto do show, pois Chica também cantou algumas no formato violão e voz, mostrando uma faceta diferente de sua musicalidade, algo mais suave, com mais nuances. Os agradecimentos aos fãs, à organização e ao próprio Roo tornaram o show ainda mais especial; era óbvio que aquela performance vinha do coração.
Já o Roo subiu alguns minutos depois, e o começo do seu show foi a prova do “quem sabe faz ao vivo”. De acordo com seu setlist original, ele iria começar com “Hands”, faixa de Little Giant, de 2014, mas por conta de um chiado no seu violão que deixou-o completamente irritado, pegou seu violão de 12 cordas e iniciou com “The Sun Shines on its Own Time”, de seu EP mais recente, Of All the Lovely Things That Be. Foi nesse “improviso”, nessa adaptação, que Panes mostrou sua verdadeira habilidade de controle do público, segurando a galera na mão por mais de uma hora. Ele não precisou nem passar para a faixa-título do último trabalho para as lágrimas já caírem entre os fãs.
A partir dali, vieram apenas hits, “só pedradas”, como dizem os jovens. De
Little Giant, que por sinal, recebeu o maior destaque do repertório, com 5 das 11 músicas vindas dele, tivemos direito a uma dobradinha de Indigo Home e justamente Little Giant, com pequenas conversas entre uma música e outra. A falha técnica do primeiro violão impressionou até o próprio Roo, que ao receber o violão de volta, agora arrumado, fez algumas piadas descontraídas, tirando algumas risadas do povo. Se ele já não tivesse te ganhado com as músicas que pegam no coração, te conquistou na base da conversa.
“There’s a Place”, representante de Pacific, foi linda, não preciso nem dizer, mas o verdadeiro clímax do show veio logo depois, com “Tiger Striped Sky”. O público se tornou uma só voz, cantando em uníssono, a plenos pulmões, facilmente superando o volume do próprio cantor. Um mar de celulares subiu para registrar o momento, mas impressionantemente, não tirou o caráter pessoal do momento, já que percebendo o brilho no olho de cada um que gravava, dava para ver que todos tinham alguma história com aquela música, o impacto era diferente para cada pessoa ali.
Com “Ran Before the Storm” e “Lullaby Love” a energia seguiu lá no alto, todo mundo ecoando cada verso com uma força inigualável. Na sequência, veio “Glory Days”, atendendo a pedidos dos fãs. Roo demorou um pouco para relembrar o começo da música, que ele disse não tocar há um tempo, mas, também de acordo com ele, gostava muito dela, e nem lembra por que tirou do repertório. Foram momentos como este que provaram que os “eu amo tocar aqui no Brasil” que ele soltou ocasionalmente entre uma música e outra não era papo furado. Mesmo tocando em formato reduzido, sem banda, só violão e voz, estes momentos deram ao show um caráter mais intimista, realmente especial, como se fosse um encontro entre amigos.
Após “Know Me Well”, ele agradeceu à galera mais uma vez, ganhando até uma rosa de uma fã que estava colada no palco, mas não passou muito tempo longe, voltando menos de 2 minutos depois. Novamente pegando seu violão, ele escolheu o bis na base do “vox populi vox dei”, e entre um misto de respostas, a música que ganhou foi “Ophelia”, um de seus maiores hits. Antes mesmo do último acorde soar, ele já prometeu uma volta ao país, respondendo um fã ansioso com “maybe next year”.
Mais uma vez, foi provado que não precisa de uma grande produção, um monte de músico hipervirtuoso e uma quantidade industrial de pirotecnia para fazer um show bom, um show que emociona, um show que impacta, que será lembrado. Só com violão e voz, o Roo Panes conseguiu emocionar centenas e centenas de pessoas, uma performance que parecia ser de pessoa para pessoa. Agora só resta esperar e ver se ele realmente voltará no ano que vem…
Setlist Francisca Barreto
- Ponta de areia (cover de Milton Nascimento)
- Gosto meio doce (cover de Nina Maia & Chica Barreto)
- Little Green (cover de Joni Mitchell)
- Habana (cover de Yaniel Matos)
Não foi possível confirmar o setlist completo até o momento.
Galeria - Francisca Barreto
Setlist Roo Panes
- The Sun Shines on Its Own Time
- Of All the Lovely Things That Be
- Indigo Home
- Little Giant
- There’s a Place
- Tiger Striped Sky
- Ran Before the Storm
- Lullaby Love
- Glory Days
- Know Me Well
- Ophelia



























