Guns N' Roses | Monsters of Rock 2026 (SP)

You know where you are? You're in Monsters of Rock, baby

Texto por: Pedro Delgado (Rato de Show) - @ratodeshow

Fotos por: Guns N' Roses


Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação


E com essa publicação, fechamos a primeira cobertura oficial do Rato de Show para a 9ª ed. do Monsters of Rock. Mais do que um prazer, uma honra a possibilidade de estarmos como uma mídia oficial experienciando, vivenciando e, principalmente, relatando a você o que foi visto, o que foi ouvido e a síntese disto tudo, no que foram 12 horas de muita animação e rock n' roll.


Agora, para fechar com chave de ouro, vamos nos debruçar para a apresentação do grande headliner do dia. Confira abaixo.


E antes que eu me esqueça, se você for do tipo que sente preguiça de ler, recomendamos nossa resenha em live feita com o parceiro Porque!Metal, junto aos queridos Marcos (After do Caos) e Gabriel Buxini (Emphuria).

Conforme um tempo mais espaçado entre as apresentações até então se dava, para que toda a estrutura do Guns N' Roses se colocasse à nossa frente, havia dois fenômenos que não saiam da minha cabeça: o primeiro, o hate recebido pela banda de comentários online sobre a descrença de que os mesmos deveriam habitar o festival como headliner e até o festival como um todo.


Algo sobre não ser bom o bastante, não ser uma banda "de verdade", sobre ter ficado "no passado", por ser um flop... Muito hate foi percebido e devo confessar que, de início, a impressão de "risco" saltou à cabeça, especialmente pelo Guns ter acabado de fazer uma relativamente grande turnê pelo Brasil ainda em 2025. Me perguntava se o apelo seria bom o bastante para o nome se carregar por 2026 outra vez, em especial no Monsters.


O outro fenômeno, por sua vez, serviu para calar os haters e responder minhas dúvidas de imediato: o grande mar de pessoas que se colocava no estádio, com suas bandanas vermelhas, suas jaquetas de couro e muitos até, suas tatuagens de rosas aqui e ali. Fato é que, em muitos momentos ao longo do dia, diversas pessoas vibravam, conheciam e algumas até estavam ali apenas em detrimento de alguma das bandas de abertura. Mas a realidade é que a maioria e s m a g a d o ra estava lá apenas para aquele momento.


O momento de presenciar uma vez mais uma das maiores bandas, senão a maior, do hard rock.

Guns N' Roses no monsters of rock

Até ali, havia sido uma grande jornada de quase 10h. Os pés doíam, os joelhos choravam e as costas já haviam decretado falência. O clima, apesar de fresco, denunciava um cansaço que se instalava sob as primeiras fileiras, dos guerreiros que ali estavam desde a manhã e dali não arredaram o pé. Dos minutos de silêncio pós-Lynyrd, um senso de ânimo só retornou após a Mercury e o Monsters fazerem o que sabem fazer de melhor: tocar nossos corações.


Aquela já conhecida homenagem aos que se foram, passando pelo telão os últimos grandes artistas a nos deixarem nas últimas décadas, nacionais e internacionais, que a cada nome, a cada lenda, despertavam os gritos e aplausos do público. Não preciso nem dizer a reação de todos quando o nome e foto do Madman, Ozzy Osbourne, apareceu por lá, não é mesmo?


Os decibéis alcançados só foram disputados nos momentos a seguir: quando o logo do Guns apareceu pelo telão digital e quando as luzes caíram anunciando que era finalmente chegada a hora. À medida que entravam ao palco Richard Fortus (guitarra), Isaac Carpenter (bateria), Dizzy Reed (teclado/back vocal) e, é claro, a entrada triunfal de Duff McKagan (baixo) e Slash (guitarra), não demoraram para iniciar os primeiros acordes de "Welcome to the Jungle", entrando com os dois pés na porta e magicamente removendo todo o peso do cansaço de um público que começou a vibrar, pular e gritar à medida que entrava Axl Rose para exigir até o último centímetro cúbico de energia de seus fãs.

Guns N' Roses no monsters of rock 2026

Que visão mágica era a de ver uma banda coesa, energizada e bem resolvida em seu show. Principalmente Axl, correndo de um lado para o outro, girando, fazendo marra, caras e bocas, assim como demonstrando uma clara evolução da recuperação de sua voz, tão duramente criticada nos últimos anos.


Vamos endereçar isso imediatamente: não, os drives não estão mais lá, não é mais como ouvir os álbuns ou os primeiros anos ao vivo, tampouco seria com qualquer um, especialmente aqueles que não foram gentis com suas vozes ao longo do tempo. Mas é inegável que a harmonia estava lá, o agudo alto, mas principalmente a entrega. O cara sabe como a voz está, não é burro. Sabe também dos comentários e ainda assim se entrega noite após noite, em impressionantes apresentações que chegam próximas das 03 horas.


Comprometimento, dedicação e amor são algumas das palavras que me vi refletindo ao longo da apresentação, quando pondo na balança a voz do Sr. Rose e chegando à conclusão da besteira que são as críticas — não por muitas não serem verdades, mas pelo pequeno peso que têm quando comparadas ao que significa estar ali: celebrando um legado, revisitando memórias, mas principalmente fazendo novas.


E digo isso como alguém que não é lá tão chegado na banda, viu!

Guns N' Roses no mosnters of rock

Já emendaram na sequência "Slither", cover mais do que bem-recebido do saudoso Velvet Revolver, "It's So Easy", outra do Appetite for Destruction (1987) — álbum que viria a ser boa parte do repertório da noite — e "Live and Let Die", cover de Wings que, a essa altura, já havia galvanizado todo o público.


Nem uma guitarrada acidental de Slash na cara de Axl, algo que assustara todos a princípio, foi o bastante para sequer pôr em xeque a dinâmica que estava acontecendo naquele momento. Entre riffs e solos que produziam uma viagem ao passado e à memória, há uma atitude rebelde de uma banda que nem parece que já completou seus 40 anos de carreira, esbanjando pura jovialidade.


Importante notar que, diferentemente de outras apresentações, onde falhas sonoras pareciam estar mais segmentadas por setores do que de uma forma geral, ao longo da apresentação houve alguns momentos aqui e ali de uma quase inaudição, fosse da guitarra de Slash um pouco mais baixa, fosse da própria voz de Axl quase sumindo entre as camadas das melodias, mas que aqui se pode até presumir certa intencionalidade em determinados momentos. E nessa ausência, fosse nos back vocals para lá de competentes de Reed, o público também fazia sua parte com um colchão sonoro em uníssono. "Mr. Brownstone", "Bad Obsessions" — primeira de Use Your Illusion I (1991) da noite — e "Rocket Queen", pela primeira vez tocada na atual turnê, chegaram e mantiveram o bom pacing construído até então.

Guns N' Roses  no monsters of rock

Apesar do grande foco e atenção do público irem para os três membros fundadores, é importante notar toda a presença e ótima execução, fosse de Fortus, que apesar de já ser um rosto há muito conhecido, se encaixa bem na banda, assim como Carpenter, sempre com um sorriso no rosto e com a energia lá em cima. Apesar dos elogios sobre a dinâmica dos músicos, vale também comentar que a interação entre eles é um pouco mais contida. Ela existe, mas ainda assim parece que cada um fica no seu "quadrado".


Tivemos também a presença de alguns dos singles mais recentes da banda como "Perhaps" e "Nothin", super bem-recebidos pelo público, mostrando que o bom fã de GnR não está lá só pela nostalgia.


Mas impossível também ignorar a sequência de tirar o fôlego com "You Could Be Mine" e os covers mais que justos de "Civil War" (Jimi Hendrix), "Junior's Eyes" (Black Sabbath), que não só foi também debut da turnê, como um espetáculo de homenagem com a foto de Ozzy rolando pelo telão, "Knockin' on Heaven's Door", música de Dylan que parece que foi modelada por toda uma geração para ser ouvida naquele timbre único de Axl e que este conseguiu inclusive reproduzir à altura! E não menos importante, para fechar a leva, "New Rose", do tradicional The Damned, com toda aquela energia e atitude punk rock, com Duff nos vocais, mostrando o talento do baixista e reforçando a marra e referência do músico.


Importante notar que a viagem até aqui, apesar de super proveitosa, parecia também pouco a pouco começar a cobrar seu peso, com o cansaço começando a competir com a banda. Logo após "Atlas", seguido da introdução à banda, tivemos um solo intenso, quente e magnético feito por Slash, daqueles de se prender a respiração e não piscar.

Guns N' Roses no monsters of rock

Apesar disso, assim como o antebraço do músico que pulsava — dado que este deveria ser o que menos repousa no show — o cansaço atingia seu clímax, cobrando o peso da longa apresentação somado ao longo dia. Mas cansaço esse que seria varrido novamente em um último "gás".


Isso porque chegara "Sweet Child O' Mine", simplesmente a principal música da banda, que já em seus primeiros acordes daquela melodia que você pode até não conhecer profundamente ou sequer gostar de Guns, imediatamente vai se ouvir cantarolando a música em sua cabeça. Reavivado, o público em completo júbilo parecia competir com Axl, que os tinha na mão.


Seguido por "Estranged", tivemos a grande surpresa da noite com "Bad Apples", música que não via os palcos desde 1991 e que parecia ser uma resposta da banda para com seus fãs, como um presente de carinho por toda a lealdade, já que São Paulo (para variar) é o maior consumidor de Guns do mundo. A euforia ainda foi desacelerada, dando lugar para a emoção à medida que o piano e seu divertido assento em formato de moto apareciam, com Axl fazendo um espetáculo de performance em "November Rain", curiosamente a música mais longa e que pareceu ser uma das que transcorreu mais rápido.


Entre olhos marejados, casais que se abraçavam e valseavam levemente de um lado para o outro, memórias pareciam emergir como uma avalanche nos mais diferentes corações, de palavras que podiam até não ser completamente entendidas pelo público, mas com um sentimento que simplesmente alcançava. Inclusive, nesses momentos mais lentos, mas emotivos até, eram uns em que era possível ouvir Axl emulando aquela voz rasgadinha de seus drives, mostrando o quão vivo ainda está o músico. Até o despontar do solo de Slash, impossível não se juntar ao coro de vozes cantando "Don't ya think that you need somebody?". Um dos, se não o maior ponto alto da apresentação, que inclusive poderia ter se finalizado ali mesmo, tamanha catarse coletiva.


Mas não. Claramente que não, pois após "Nightrain", o público se recusaria a ir (eu incluso) antes de ouvir a quentíssima "Paradise City".


Outro grande hit que, para finalizar a noite do jeito que começou, com calor, proximidade e bom humor, serviu como a cereja do bolo de uma apresentação gigante e de muito sucesso, vide a legião de fãs que a banda vem trazendo para os estádios ao redor do Brasil, em uma das mais ambiciosas turnês que teve como passagem o Monsters of Rock 2026.


Com uma escalação voltada ao hard rock e ao rock clássico, ainda que tendo também sua dose de modernidade, esse Monsters serviu para provar que os "monstros" vêm de diversas formas e eras e que, ao contrário da opinião de alguns, o Guns pode compor o ranking de um dos maiores da atualidade. Entrega, performance, energia e até tempo de palco fizeram valer cada investimento do dia, reforçando a relevância do evento no calendário dos rockeiros do Brasil.


Ainda que tendo, sim, alguns problemas de som aqui e ali, dificilmente se dá para comentar da estrutura sendo insuficiente, até pelo ridículo — no bom sentido — telão que nos foi oferecido como parte da estrutura do Guns, que foi um espetáculo de se ver, com ainda um palco relativamente baixo, próximo e infinitamente melhor do que no ano passado, quando tivemos aquela extensão de palco que foi alvo de críticas. Outra relevante prova de que a produtora escuta seus fãs, adapta as necessidades do momento e sabe muito bem realizar sua curadoria.


Agora, a intriga fica com o que será que vem em sua próxima edição, onde muitos se mantiveram atentos, principalmente com a caveira à la Eddy se fazendo presente nas chamadas do telão, quase que provocando o público diante de um outro nome tão estelar quanto o próprio Guns para o público brasileiro.


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Guns N' Roses  no monsters of rock

Setlist Guns N' Roses


  1. Welcome to the Jungle
  2. Slither (cover de Velvet Revolver)
  3. It's So Easy
  4. Live and Let Die (cover de Wings)
  5. Mr. Brownstone
  6. Bad Obsession
  7. Rocket Queen
  8. Perhaps
  9. Dead Horse
  10. Double Talkin' Jive
  11. Nothin'
  12. You Could Be Mine
  13. Civil War
  14. Junior's Eyes (cover de Black Sabbath)
  15. Knockin' on Heaven's Door (cover de Bob Dylan)
  16. New Rose (cover de The Damned)
  17. Atlas
  18. Slash Guitar Solo
  19. Sweet Child o' Mine
  20. Estranged
  21. Bad Apples
  22. November Rain
  23. Nightrain
  24. Paradise City

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