Halestorm | Monsters of Rock 2026 (SP)

Aquela dose de metal alternativo ao festival tradicional

Texto por: Pedro Delgado (Rato de Show) - @ratodeshow

Fotos por: Ricardo Matsukawa


Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação


Com o sol forte finalmente começando a dar uma trégua e as primeiras nuvens escuras repousando pelo céu, já havíamos passado da metade do Monsters e os primeiros sinais de cansaço pouco a pouco se mostravam. Um salve tanto para a equipe de bombeiros, nesse sentido, distribuindo água o tempo todo, quanto para o próprio público, que se unia para repassar as garrafas o mais longe possível, alcançando as pessoas mais distantes.


E nesse espírito, por volta das 15h15, subia ao palco a quarta banda e uma das que mais concentrava fãs para além do público que esperava ansiosamente pelo Guns. Ainda assim, uma grande fatia desconhecia a banda. Será que impressionaram? Vamos conferir!


E antes que eu me esqueça, se você for do tipo que sente preguiça de ler, recomendamos nossa resenha em live feita com o parceiro Porque!Metal, junto aos queridos Marcos (After do Caos) e Gabriel Buxini (Emphuria).

Uma coisa que logo de cara me incomodou foi uma fala do Walcir Chalas antes do início do Halestorm (não confundir com os piratas bêbados do metal, Alestorm), assim como uma sensação geral percebida no público. Ao mesmo tempo, é uma ideia que dá muita perspectiva sobre a forma com a qual consumimos música e estamos antenados em seu universo: “A nova geração do rock vem aí” — era o que diziam.


Já tive a oportunidade de assistir a um show do Halestorm em sua última passagem pelo Brasil, em 2016, no finado Maximus Festival. Confesso que não é exatamente uma banda que “clica” para mim, mas ainda assim, dada a proporção de como e quando começaram (os irmãos Hale com 10 e 13 anos, respectivamente), a formação, a intenção e o sonho nasceram no mesmo período que bandas como Linkin Park, Disturbed, Interpol e o próprio Coldplay. Não vejo ninguém os chamando também de “nova geração do rock” — risos.


Mas, deixando esse comentário à parte, os quase 30 anos de estrada da banda definitivamente se refletiram em como se portaram e entregaram o que viria a ser a apresentação destaque do dia. Isso porque, quando você não está esperando nada, aquilo que surpreende acaba sendo o que fica marcado na memória.

halestorm no monsters of rock

E assim entravam Arejay Hale (bateria), Joe Hottinger (guitarra), Josh Smith (baixo) e o fenômeno Lzzy Hale (vocal, guitarra e teclados). Abriram com "Fallen Star", música de seu último e recente álbum, Everest (2025). Uma faixa rápida, antêmica e que, em seu momento de tensão, permite fazer o que a banda faz de melhor: elevar o vozeirão e o alcance vocal de Lzzy, que mais parece uma sereia, encantando todos ao seu redor — alguns até se entreolhando como quem diz: “mas é o bichão mesmo, hein?!”.


Seguiram então com uma sequência porradeira de seu disco mais aclamado, The Strange Case Of… (2012), trazendo "Mz. Hyde", "I Miss the Misery" e "Love Bites (So Do I)". E aqui, o que a princípio foi um “pegar de surpresa” do público, pouco a pouco foi se firmando como uma apresentação impossível de ignorar.


Especialmente nas duas últimas citadas, para além das próprias músicas — que usam e abusam dos drives e da força vocal de Lzzy —, a cantora ainda aproveitava para esbanjar sua habilidade, mandando altos, fortes e longos gritos que, entre brincadeiras, geravam reação imediata: gritos, balbúrdia e interação com um público completamente enfeitiçado.


As melodias por si só ajudavam bastante. Fosse nos riffs chicletes, no ritmo cadenciado ou até nos momentos de “ôôô’s”, que aproximavam cada vez mais o público da banda — e, em especial, do carisma e simpatia que, dada a apresentação anterior, eram como chegar com um copo de água gelada para alguém que acabara de correr uma meia maratona.

halestorm no monsters of rock 2026

Mas não pense que o restante da banda estava apático ou apagado em relação à vocalista. Entre Joe e Josh indo de um lado para o outro, sorrindo, jogando palhetas e cantando junto com o público, a banda reforçava toda a experiência. E até mesmo Arejay, que, para além dos momentos em que sua irmã reforçava a presença, o amor e a parceria, teve seu momento de glória em um divertido solo de bateria que terminou puxando duas baquetas gigantes — e, de alguma forma, ainda assim conseguindo tocar, rs.


A apresentação se centrou nos álbuns mencionados anteriormente, somados ao auto-intitulado de 2009, e, de modo geral, foi uma execução bem competente. Com picos e vales, indo dos momentos de maior intensidade e ritmo aos momentos mais emocionais, como quando Lzzy assumia o teclado, caso de "I Get Off", além de uma performance à capela que chamou a atenção de todos, até mesmo daqueles que torcem o nariz para a banda, como eu.


Única representante feminina do dia, o Halestorm cumpriu com excelência seu papel, provando inclusive o porquê de terem sido uma das bandas que participaram do Back to the Beginning, festival final do Black Sabbath no ano passado. Uma pena, inclusive, que deixaram de fora do set justamente “Perry Mason”, o que, se por um lado é entendível pela oportunidade de se exporem mais ao público, por outro teria sido uma bela homenagem de se ver.


Entre o carisma e as trocas de guitarras lindas de Lzzy — que geraram cobiça entre os guitarristas de plantão, como comentado pelo próprio Buxini em live —, é válido comentar que chega um ponto em que o excesso de apoio nas habilidades vocais da cantora pode gerar certo cansaço. É como ter um superpoder e usá-lo o tempo todo, o que no fim acaba tirando justamente o fator de “especial”.


Mas isso é mais uma opinião pessoal do que a de alguém amargurado, pois trazer uma banda dessa relevância, com esse estilo de heavy metal mais alternativo e moderno, para um dia tradicional como o do Monsters é imprescindível, reforçando os diferentes caminhos que a música pesada vem construindo.


Certamente uma apresentação que agradou muito mais do que desagradou e que retomou o bom pacing do festival. O show do Halestorm parece ter sido daqueles em que, ao conferir depois, os números de ouvintes no Brasil aumentaram — e não à toa, São Paulo já figura entre as cidades que mais escutam a banda.


Acesse a cobertura do Yngwie Malmsteen clicando aqui.

Acesse a cobertura do Dirty Honey clicando aqui.

Acesse a cobertura do Jayler clicando aqui.

halestorm no monsters of rock

Setlist Halestorm


  1. Fallen Star
  2. Mz. Hyde
  3. I Miss the Misery
  4. Love Bites (So Do I)
  5. WATCH OUT!
  6. Like a Woman Can
  7. I Get Off
  8. Familiar Taste of Poison
  9. Rain Your Blood on Me
  10. Freak Like Me
  11. Wicked Ways
  12. I Gave You Everything

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