Maisie Peters (SP)
Rato de Show também é agro, é tech, é pop (às vezes)
Texto por: Eduardo Domingues
Fotos por: Eduardo Domingues
Enquanto algumas pessoas estavam curtindo o primeiro dia do Bangers, ou o show do Lumineers, algumas pessoas estavam esperando o show da cantora de pop britânica Maisie Peters, que rolou no Cine Joia. A cantora havia anunciado esse show, que é sua primeira passagem pelo país, no final de janeiro, como parte de sua turnê Before the Bloom.
A turnê foi planejada com sets e palcos menores, para ter uma experiência mais íntima e leve com seus fãs, e foi realizada para marcar a transição de eras em sua carreira. Também serviu como um meio de preparar caminho para seu novo álbum, Florescence, que será lançado no dia 22 de maio.
Mesmo sendo anunciado em cima da hora, o Cine Joia estava bem cheio, com diversos fãs que acompanham a cantora desde os seus primórdios, no longínquo ano de 2018. A ansiedade estava alta, e todo mundo estava atento esperando o show começar. Chegou num ponto que qualquer movimento que acontecesse no palco, já tirava alguns gritos antecipados de fãs, achando que significaria o início do evento.
As 20:30, Maisie deu início ao show com pontualidade britânica – quem diria, né? – e um poema de sua autoria, intitulado “Before the Bloom”, começou a tocar nas caixas de som enquanto ela e sua banda subiam ao palco. Peters mal havia terminado de subir ao palco e a plateia já estava ensurdecedora, e de forma quase literal.
A canção escolhida para abrir o set foi a “Love Him I Don’t”, de seu primeiro álbum You Signed Up For This (2021). E algo que ficou claro desde o início, é o quanto os fãs brasileiros aguardavam pela cantora; gritos, pulos, e uma quantidade absurda de pessoas cantando a música inteira. Chega até a ser impressionante a diferença de público pros shows que estou mais acostumado a ir, uma animação que não esperava, ainda mais de um show mais pop.
Também é válido destacar o quanto a cantora é carismática. Com uma forte presença de palco, que compensa a falta de grandes estruturas, e sempre sorridente e alegre. O carisma de Peters é tão grande, que qualquer um presente deve ter saído um pouco mais alegre apenas pela energia contagiante dela. Chega até a ser preocupante se você não sentiu o mesmo.
Após a sequência inicial de músicas, se iniciou um grande coro de “Maisie, eu te amo” na plateia, tão forte que a coitada quase que não conseguiu iniciar sua próxima música do set, “Audrey Hepburn”. Durante a ponte da música, ela decidiu retribuir o amor, pedindo pra plateia bater palmas durante a ponte da música, algo que ela não havia feito antes nessa faixa. E de forma linda, todos entraram na onda.
Maisie também tocou a música ainda não lançada, “Vampire Time”, que acabou sendo uma das melhores de toda a noite. Mesmo com a grande maioria não sabendo a letra da música ainda, não deixaram de curtir e apreciar uma nova canção da artista que tanto amam.
Antes do show, Maisie postava diversas vezes em suas redes sociais sobre o quanto estava animada de poder tocar no Brasil, mas nem ela imaginava a recepção que teria aqui. Era possível ver a surpresa em seu rosto a cada música, com os fãs cada vez mais vibrantes. Chegou ao ponto que Peters nomeou o Brasil como sua plateia mais alta de todas, e até soltou três frases que aprendeu em português: “Oi meus amores”, “Eu te amo” e “Vocês são malucos”.
E com todo esse clima no maior alto astral, Maisie deu sequência com uma de suas músicas mais tristes, “You You You”, descrita pela mesma como uma música pra você bater seu carro enquanto ouve. O mais engraçado é que durante essa música, realmente todo o clima mudou, parecendo mais um sertanejo sofrência por um pequeno momento.
Após a sofrência, veio uma sequência de músicas surpreendente; “Yoko”, faixa da versão deluxe do álbum
The Good Witch
(2023), que era uma das mais esperadas pelos fãs que conversei na entrada, e estava meio sumida de seus sets, e foi recolocada de forma especial em alguns dos shows da turnê; e “Kingmaker”, música que lançou 4 dias antes do show no Brasil, e que estava tocando pela segunda vez ao vivo. Até chegou a pedir desculpas antecipadamente pois talvez errasse a letra da música, mas felizmente, cantou perfeitamente.
Tocou mais duas músicas, e então, pra tristeza de muitos, anunciou que o show estava chegando ao fim, e teria apenas mais uma canção antes de encerrar a noite. Mas, antes de iniciar, pediu pra todo o público prestar atenção e fazer uma minialuna de dança, para aprender a coreografia da música.
E vou dizer, que ou eu sou muito ruim de dança, ou todos ali já haviam treinado antes. Durante o refrão de “My Regards”, todo o Cine Joia começou a dançar em ritmo perfeito – eu sendo o único poste no meio do local – e cantando maravilhosamente em conjunto. No último refrão da música, porém, ninguém mais tava ligando pra coreografia, era apenas dança e alegria por parte dela e por parte da plateia, enquanto a banda tocava e cantava.
O show foi surpreendente, e de certa forma revigorante. Já citei o quanto a plateia estava com um astral bom diversas vezes nesse texto, e era gratificante ver o quanto os rostos dos fãs estavam iluminados após o show. Alguns estavam realizando seus sonhos naquela noite, e isso era bem visível. São shows como esse que me fazem gostar de assistir vários artistas de diversos gêneros ao vivo, e que fazem valer a pena os valores de ingressos atuais.
Setlist
1. Love Him I Don’t
2. Lost the Breakup
3. Place We Were Made
4. Audrey Hepburn
5. Say My Name in Your Sleep
6. Volcano
7. Vampire Time
8. You You You
9. John Hughes Movie
10. Two Weeks Ago
11. Yoko
12. Kingmaker
13. History of Man
14. There It Goes
15. My Regards










