In Flames (SP)
O In Flames trouxe para a Audio uma intensa e emocionante apresentação que se tinha alguém que considerou ir para não ver a banda no festival, talvez tenha repensado a ideia logo após.
Texto por: Rato de Show
Fotos por: @MarcosHermes
Agradecimentos: Honor Sounds, Bangers Open Air e Agência Taga
Seguindo a leva de side shows que antecederam o Bangers Open Air, estivemos presentes para acompanhar o explosivo e intenso show promovido pelo In Flames, no último dia 23, diretamente da Audio, local que recebeu também a Pré-Party do Bangers no dia seguinte. De um resgate ao passado ao saudar do presente, a noite mostrou que o metal pesado e melódico corre nas veias do brasileiro, sendo um ótimo aperitivo para o que os fãs viriam a experimentar no final de semana no próprio Bangers.
A abertura ficou por conta de ninguém menos do que os paulistas da Throw Me To The Wolves, reforçando não só o crescente status da banda, mas sendo um significativo momento tanto para a banda quanto para nós como um todo, em termos de termos uma representação à altura do gênero vindo do nacional.
Das profundezas do Tártaros
Estava checando os arquivos e este foi o meu sexto show da Throw Me em que tive o prazer de acompanhar. A essa altura, a apresentação se tornou uma coisa tão natural de resenhar, que é até um receio colocar algo de uma forma que não soe uma repetição do passado. É por isso que teve algo sobre esse show que foi tão legal e que se destacou de todos os anteriores por um motivo simples: sinergia.
E não digo a sinergia entre a banda — Diogo Nunes (vocal), Fábio Fulini (baixo), Gui Calegari e Fabrício Fernandes (guitarras) e Maycon Avelino (bateria) — que se tornou sólida e fluida, mesmo com a mudança de formação relativamente ainda recente, mas a sinergia com a noite.
Já vi esses caras tocando em festival medieval, em shows de death, power e até thrash metal — o que sempre foi interessante de ver pelo retorno positivo dos presentes—, mas aqui a coisa mudou. Mudou porque era uma banda que bebe do suco da escola de Gotemburgo, abrindo para quem criou a escola. Um momento onde o aluno se prova para o mestre e passa de ano com louvor.
É por isso que quando já chegaram com a sequência enfurecedora de "Chaos", "Tartarus" e "Days of Retribution", a conexão com o público fora magnética e direta, não precisando muito para o bate-cabeça, os chifrinhos ao ar e os “hey, hey, hey’s” acontecerem. Um som alto, forte e potente, mas que permitia a todos brilharem, como sempre.
Desde o carisma inato de Diogo e energia contagiante em contraste com o peso absurdo de sua voz, as guitarras dobradas e riffs melodiosos de Gui e Fabrício ao pedal duplo e ensurdecedor de Maycon eram visíveis, mas não teve jeito, quem roubou a cena da noite, com seu moicano renovado, foi Fulini que é simplesmente um monstro no baixo.
A todo momento reforçando da emoção que era estar ali dividindo o palco com seus ídolos, era como se cada membro estivesse possuído pelo espírito sueco, fazendo cada minuto, cada nota e cada interação valer a pena. Passando ainda por "Fragments", "Awakening my Demons" e "Gates of Oblivion", a banda mostrou do que é feita, ganhando o público e esquentando a noite.
Um baita show, emocionante, simbólico e de conquistas que tenho certeza que possivelmente tenha sido um dos pontos altos da história da banda até o momento. Vida longa a TMTTW!
Throw Me To The Wolves - Setlist
- Chaos
- Tartarus
- Days of Retribution
- Fragments
- Awakening My Demons
- Gates of Oblivion
- Gaia
Audio em Chamas
Daquele ponto em diante, a casa que já comportava relativamente bastante gente, rapidamente se encheu a um nível onde era possível se locomover, mas difícil de encontrar tantos espaços desocupados. E com o cair de luzes, por alguns segundos o que só podia ser escutado era o grito dos presentes.
Pouco a pouco, entravam
Björn Gelotte
(guitarra),
Jon Rice
(bateria),
Liam Wilson
(baixo), o gigante
Chris
Broderick
(guitarra) e
Anders Friéden (vocal) para iniciar um dos maiores saravás do ano através da mais pura alta intensidade.
Com a sequência inicial formada por "Pinball Map", "The Great Deceiver" e "Deliver Us", já era possível ter um gostinho do quão de parabéns a mesa de som estava. Nunca presenciei um som tão bem equalizado, equilibrado e simplesmente perfeito em uma casa de shows antes. Tudo audível, nada se sobrepondo além do puro suco caótico e performático da banda.
Daquele death metal melodioso e clássico até o metal alternativo mais moderno que tem executado, as músicas iniciais foram um bom exemplo da excelente mescla pelo set, que passou principalmente pelo mais recente, Foregone (2023), seguido de A Sense of Purpose (2008), Clayman (2000), I, The Mask (2019) e muitos outros.
E é curioso perceber que mesmo com uma mudança tão abrupta em termos do ritmo e estilo, o veio melódico e emocional é central na banda, sendo uma âncora que manteve suas principais características sonoras através do tempo, ao mesmo tempo em que continuam a evoluir.
Faixas como a icônica "Only for the Week" e a mais recente, "Meet Your Maker", pintavam muito bem essa cena que comento, onde mesmo com 23 anos a parte, a intensidade colérica grita “In Flames”, assim como o público também o fazia a todo momento, cantando, gritando, mas principalmente vibrando a cada anúncio que se fazia referente à música seguinte.
A adição do groove, a tensão e os breakdowns encaixam como uma luva para a banda, ainda mais na voz de Anders, que ao mesmo tempo que consegue mandar aquelas notas agressivas e o gutural cavernoso, seu contraponto mais emotivo e limpo acaba servindo como uma camada a mais, fora ser um jeito esperto de conservar a voz.
Emoção essa que era perfeitamente replicada através dos riffs, fosse em um momento mais cinematográfico a um mais virtuoso, com aquelas guitarras dobradas que tornam quase impossível não querer fazer um air guitar para acompanhar o ritmo. O trabalho de tanto Rice quanto Wilson também estava nítido como o dia. Entre os pedais duplos e uma bateria intensa e cheia de ritmo que fazia o corpo não ficar parado, ao baixo groovado que fora destaque em muitos momentos como em "State of Slow Decay", "Alias" e "I Am Above".
A presença dos caras no palco era sinistra, entre os movimentos de pêndulo para frente e para trás e toda a interpretação de Anders que não parava quieto um segundo, parecendo que tinha um galão de gasolina que ia sendo derramado no público e tendo em sua voz o fósforo. Sua proximidade com o público era frequente, quente e descontraída, entre agachadas e encaradas diretas até pegadas no celular alheio para takes sendo filmados do palco. Mesmo com aquelas roupas que mais lembravam um pai solteiro fã de
Creed, do tipo que você passaria na rua e nem se atentaria a quem são tamanha a casualidade, esse senso de simplicidade ia embora no extremo comando do público.
Comando esse que inclusive se deu de forma quase revolta pelo vocalista em certa altura do show, pelo fato de até então não ter visto nenhuma grande roda se formando. Mas não precisou de muito… Bastou este proferir seu descontentamento que também nada mais precisou ser dito duas vezes. O vórtice humano começou a girar, dando ainda mais vigor para a apresentação.
Provando do porquê se sustentam em uma posição de destaque no festival - e não que teriam que provar sequer alguma coisa - o In Flames trouxe para a Audio uma intensa e emocionante apresentação que se tinha alguém que considerou ir para não ver a banda no festival, talvez tenha repensado a ideia logo após.
In Flames - Setlist
- Pinball Map
- The Great Deceiver
- Deliver Us
- The Quiet Place
- In the Dark
- Voices
- Cloud Connected
- Artifacts of the Black Rain (não tocada desde 2012)
- Trigger
- Only for the Weak
- Meet Your Maker
- State of Slow Decay
- Alias
- The Mirror's Truth
- I Am Above
- Take This Life











