High on Fire (SP)
Caos, peso, porrada e muita maconha
Texto por: Eduardo Domingues (Rato Rodrigues/@cranizin)
Agradecimentos: Tedesco Mídia e Solid Music
Se você costuma ir em muitos shows, você com certeza vê a diferença em como eles te fazem sentir. Existem shows que você apenas vai pra poder falar que viu certo artista ao vivo pelo menos uma vez, existem shows que você pensa que vão ser maravilhosos e se decepciona (ou o inverso). E existem aqueles shows que você até gosta da banda, mas não sabe muito o que esperar. Será que a banda vai ser boa? Será que a plateia vai estar ao mesmo nível da banda?
Eu fui ao show do
High on Fire, lendária banda de stoner, assim. Se você acompanhou nosso perfil no Instagram, percebeu o quanto eu queria ver a banda, e especialmente, o
Matt Pike, guitarrista e vocalista. E o show, foi perfeito, gratificante. Diria que saí de lá renovado.
O High on Fire tocou na
Burning House, no dia 4 de outubro, com os ingressos basicamente esgotados. Não teve banda de abertura, então tirando o povo que queria estar mais perto do palco, a casa estava basicamente vazia até pertinho do horário de começar, às 20h. E com a casa lotada, no horário certinho, começa a tocar na caixa de som a música “Karanlık Yol”, faixa instrumental do álbum mais recente da banda,
Cometh the Storm. Nessa hora, o cheiro da maconha subiu forte, em preparo para a noite.
Então, a portinha do backstage se abre, a banda sobe ao palco, e já iniciam o set com a brutalidade da “Burning Down”. A gritaria já começou desde que Pike, com sua barrigona de chopp completamente exposta, subiu ao palco, ao lado do baixista
Jeff Matz, e do baterista
Ben Koller, que faz parte do
Converge. O som era denso, mexendo com você logo de cara, mas o vocal acabou ficando meio abafado por conta da potência dos instrumentos — por mais que, no fim, isso não tenha atrapalhado em nada, com o público gritando do mesmo jeito.
Mesmo com a agitação toda, foi apenas durante a “Rumours of War”, um dos maiores clássicos da banda, que o caos começou a reinar durante o show, saindo de uma plateia apenas animada pra porradaria de costume de shows de metal. Era engraçado reparar na banda nesse momento, que Jeff parecia que tinha fumado antes de subir ao palco, com seu olhar pro nada e viajando por completo, Ben parecia um maníaco enquanto estava tocando, e Matt estava completamente suado e cuspindo no chão toda hora.
Durante a “10,000 Years”, a parte final da música é instrumental, e Pike aproveitou para viajar no som enquanto Jeff carregava o riff da música no seu baixo. Após a música, Ben foi fazer uma brincadeira com a baqueta com Jeff, e sem querer lançou a baqueta na cara de uma fã que tava do lado do palco. Para a felicidade (e bem dolorida), ele deixou ela ficar com a baqueta pelo menos.
A banda não interage muito no palco, mas eles nem precisam da interação para carregar o show. A simples presença deles no palco é suficiente. Eles possuem uma energia ao vivo que poucas bandas tem, e que claramente refletia com o público, que vinha sonhando com esse momento há décadas.
Então, como se o show já não estivesse caótico, Pike simplesmente gritou no microfone “FURY WHIP!”, nome de uma das músicas mais agressivas da banda. Com o riff inicial, as palhetas que haviam colado na frente dos amplificadores começaram a balançar tanto que parecia que iam cair. E em questão de segundos, o local já tinha virado uma completa bagunça. Pessoas foram levadas de um lado para outro do palco em questão de segundos, e o mosh ia basicamente de uma ponta a outra da casa.
E como se não bastasse, na sequência tocaram “Snakes the Divine”, que elevou tudo a mil. Por exemplo, meu celular quase saiu voando pro chão, e fizeram stage dive em cima de mim, que entortou meu óculos e deixou minha cara levemente machucada. Tudo isso enquanto tinha gente que estava realmente parecendo um boneco, só sendo levada de um lado pro outro. O mais difícil de toda essa situação, é tentar explicar pra alguém que não gosta muito do gênero que era exatamente ali onde queríamos estar.
Encerraram o show com a “Darker Fleece”, que por mais que ainda seja pesada, é mais calma que as anteriores, como se fosse pra acalmar os ânimos antes de ir embora. A música é perfeita para finalizar um set, pegando tudo o que tem de melhor em uma música do High on Fire em uma única faixa. Pike estava usando sua guitarra verde e amarela para a última música, que até acabou coincidindo com esse domingo eleitoral que acabaram realizando o show.
Como disse, a banda acabou fazendo valer cada segundo, e a plateia também fez por valer. Era óbvio que a grande maioria ali estava aguardando por esse show por muito tempo - alguns, pelo que parecia toda a vida mesmo. Espero que algum dia possa ver aquele tanquinho de cerveja de novo ao vivo, pois arrisco dizer que este provavelmente foi o melhor show do ano (até o momento).
Setlist
- Burning Down
- Hung, Drawn and Quartered
- Rumors of War
- 10,000 Years
- Fertile Green
- Fireface
- Sol's Golden Curse
- Fury Whip
- Snakes for the Divine
- Darker Fleece









