Wild Hunt lança Enthroned Serigy, álbum conceitual sobre resistência indígena
Terceiro disco da banda brasiliense reconta conflitos do século XVI no litoral de Sergipe sob a perspectiva dos povos indígenas
Créditos foto: Divulgação
via Hell Yeah Music Company
A banda brasiliense
Wild Hunt
lançou seu terceiro álbum de estúdio, "Enthroned Serigy", revisitando uma das histórias mais violentas da colonização portuguesa no Nordeste brasileiro a partir da perspectiva dos povos indígenas que resistiram à ocupação. Construído como um álbum conceitual, o disco reconstitui a resistência indígena no litoral de Sergipe durante o século XVI, tendo como ponto de partida o naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda, em 1556, e acompanhando os conflitos que culminariam na derrota do cacique
Serigy
e na fundação de São Cristóvão.
A narrativa retrata episódios de guerra, vingança, alianças e confrontos culturais para reconstruir a trajetória de povos que resistiram à ocupação de seus territórios. O Wild Hunt também recorre à cosmologia tupi para ampliar a história, incorporando o mito do Dilúvio ancestral e as antigas rivalidades entre diferentes povos indígenas. Ao longo das sete faixas, o disco acompanha desde o massacre dos náufragos na região da bacia do Rio Opara, atual Rio São Francisco, até o cerco à aldeia de Serigy e a captura do cacique.
Musicalmente, o disco representa um momento de amadurecimento para o Wild Hunt. Fábio Laporte, vocalista e responsável pela flauta transversal, explica que as influências brasileiras presentes nos primeiros trabalhos agora estão incorporadas de maneira mais profunda às composições.
"No Awakening of the Wild Spirits, a proposta musical básica foi delineada enquanto um projeto solo e no Hy Breasail, ainda como um duo, as influências brasileiras foram incorporadas e incluídas como uma camada em cima da sonoridade fundamental. Já no Enthroned Serigy somos uma banda completa", comenta. Para o músico, essa formação permitiu que as contribuições individuais dos integrantes aparecessem com maior clareza e ajudassem a construir uma identidade que aproxima o paganismo europeu dos anos 1990 de ritmos brasileiros e referências do rock psicodélico nacional dos anos 1970, com nomes como
Ave Sangria
e o álbum "Paêbirú", de
Lula Côrtes
e
Zé Ramalho, entre suas referências.
Antes do lançamento do álbum, o Wild Hunt lançou o videoclipe de "Tupi Army", faixa que funciona como um dos momentos centrais da narrativa e retrata a formação do exército indígena liderado pelo cacique Serigy. O vídeo amplia visualmente a proposta da música e antecipa parte do universo apresentado em "Enthroned Serigy". O vídeo foi produzido por Albert Araújo e Fábio Laporte, com direção, captação e edição de Albert Araújo e storyboard desenvolvido por Gabriel Mombasca.
Com quase duas décadas de trajetória, o Wild Hunt construiu uma identidade própria ao tratar fantasia, mitologia e história sob a perspectiva do passado ancestral brasileiro. Essa proposta se manifesta em uma fusão de Black, Thrash e Heavy Metal com melodias de inspiração épica e folclórica, resultando em uma estética descrita como "borduna e feitiçaria", uma adaptação sul-americana do tradicional "sword and sorcery". Entre suas principais referências figuram nomes como
Skyclad,
Cruachan,
Bathory,
Grave Digger,
Celtic Frost,
Immortal,
Coroner,
Hollenthon,
Borknagar,
Suidakra
e
Adorned Brood, além do rock psicodélico brasileiro dos anos 1970 e de influências diversas da música nacional. O nome do grupo remete ao antigo mito europeu da "Caçada Selvagem", presente em diferentes culturas e eternizado na icônica capa de "Blood Fire Death", do
Bathory, uma de suas influências fundamentais.
O Wild Hunt foi idealizada por Fábio Laporte em 2008, em Aracaju-SE, mas teve seu lançamento oficial apenas em 2018, já estabelecida em Brasília, com o EP "Awakening of the Wild Spirits", obra inspirada na HQ "Sláine". Em 2021, então atuando como duo ao lado de
Josaphar Chrisóstomo, o grupo lançou "Hy Breasail", trabalho que projeta um Brasil mítico a partir de influências do folclore celta e da lendária viagem de São Brandão. Com a consolidação de sua formação completa, a banda passou a marcar presença em grandes eventos, como o
Fest Rock Brasília 2024 e as seletivas do
Porão do Rock 2025, firmando seu nome no cenário nacional.
A partir de "Enthroned Serigy", o Wild Hunt aprofunda sua proposta de paganismo brasileiro voltada às mitologias, guerras, valores e narrativas sul-americanas, trazendo para o metal histórias que durante muito tempo permaneceram afastadas do imaginário mais conhecido do gênero. A banda parte da ideia de que a cultura do próprio continente oferece personagens, conflitos e mitologias capazes de sustentar grandes narrativas dentro do metal, sem depender exclusivamente de referências vindas da Europa.
A formação atual do Wild Hunt é composta por Fábio Laporte nos vocais e flauta transversal,
Addam Lopes
no baixo e backing vocals,
Josaphar Chrisóstomo
na guitarra e
Renan Costa
na bateria.
"Enthroned Serigy" foi gravado no
Estúdio Hangar 408, com captação assinada por
Arthur Oliveira
e mixagem e masterização realizadas por
Caio Cortonesi. O videoclipe conta com produção de Albert Araújo e Fábio Laporte, além de direção, captação e edição a cargo de Albert Araújo, com storyboard desenvolvido por Gabriel Mombasca. O elenco de figurantes reúne Addam Lopes,
Arthur Tupinambá,
Erick Lucas, Fábio Laporte,
Miguel Oliveira
e
Vitor Dellamora.
Saiba mais sobre o Wild Hunt e acompanhe todas as suas novidades, lançamentos e agenda de shows em @wildhuntmetal no Instagram, ou por meio de sua Assessoria de Imprensa,
Hell Yeah Music Company.










