Randy Blythe defende posicionamento político de artistas: “Não sou um macaco de entretenimento”

Vocalista do Lamb of God afirma que músicos têm responsabilidade moral de se manifestar

Créditos foto: Errick Easterday (@easterxdaily)

O vocalista do Lamb of God, Randy Blythe, voltou a comentar sobre o papel de artistas em debates políticos e sociais. Em entrevista à revista britânica Kerrang!, o músico respondeu diretamente às críticas frequentes de que músicos deveriam evitar temas políticos.


“Para essas pessoas eu digo: vão se foder. Eu sou um cidadão americano e um viajante do mundo. Mais do que isso, sou um ser humano. Não sou um macaco dançante colocado aqui para o seu entretenimento.”


Segundo Blythe, permanecer em silêncio diante de questões sociais importantes pode representar uma falha moral.


“Se você tem qualquer tipo de bússola moral, é irresponsável não exercer o seu direito de se manifestar.”



O vocalista também criticou a apatia política que, segundo ele, tem se espalhado em diferentes sociedades.


“Cidadãos comuns em uma democracia funcional têm o direito de votar e não devem se tornar apáticos. Se você não faz nada, então realmente nada vai mudar.”

Um retorno à essência do Moonspell

Segundo Fernando Ribeiro, o processo de composição do álbum foi particularmente desafiador, envolvendo diversas revisões criativas até que a banda encontrasse a direção definitiva.


“Foi um álbum difícil de escrever. Tivemos muito processo de tentativa e erro. Eu escrevi mais de cinquenta conjuntos de letras e cheguei a ter dez títulos diferentes para o disco.”


A pausa entre Hermitage e o novo álbum também foi influenciada pelos impactos da pandemia e pelo período de reorganização vivido pela banda nos últimos anos.


“Depois de ‘Hermitage’, vocês sabem o que aconteceu: pandemia, reconstruir a vida, juntar os pedaços e tentar encontrar uma direção novamente. E a direção que escolhemos foi aquilo que fazemos melhor: gothic metal.”


Fernando também destacou que o disco pretende resgatar elementos emocionais e existenciais que sempre fizeram parte da identidade do Moonspell.


“Tentamos destacar características que sempre estiveram presentes na nossa música — o lado romântico, existencial e melancólico da banda.”


O vocalista explicou ainda que a decisão de enfatizar novamente o lado gótico da sonoridade do grupo também foi influenciada pelo recente ressurgimento da estética gothic em diferentes cenas musicais.


“Eu tenho ouvido muita música gótica recentemente. Não apenas os clássicos como Fields Of The Nephilim, The Sisters Of Mercy ou Bauhaus, mas também bandas mais recentes. E percebemos que o termo ‘gothic metal’ acabou sendo usado de forma muito superficial. Muitas músicas têm apenas as flores, mas não as flores murchas. Têm apenas o brilho, mas não a poeira. Então decidimos trazer essa melancolia de volta.”


A arte de capa do álbum foi criada pelo artista Eliran Kantor, conhecido por trabalhos com diversas bandas do metal contemporâneo, e também será revelada no dia 25 de março, junto com o início da pré-venda do disco.