Não Tem Banda Com Mina Fest (SP)
Texto por: Nat Malini
Fotos por: Lucas Camargo
Agradecimentos: Tedesco Mídia e New Direction Production
Frequentar a cena sendo mulher traz um gosto amargo. O cuidado no mosh, olhares tortos que não acolhem, ter que se provar fã de verdade… e a sensação de que nosso lugar é quase sempre na plateia e nunca no palco.
Neste último sábado (13/12), o Fabrique Club, recebeu o NÃO TEM BANDA COM MINA FEST em sua segunda edição em formato de festival, para provar que lugar de mulher é onde ela quiser. Contando com cinco bandas no line-up e idealização da The Mönic, tivemos horas de protagonismo feminino com sons que uniram as mulheres na plateia apesar da chuva caótica de São Paulo. Com muitos “boa noites” equivocados, já que o festival começou às 15h. A energia das bandas se manteve em alta do começo ao fim.
Na abertura contamos com
Deb and the Mentals que mostrou ao público principalmente seu último EP “Old News” para quem quisesse uma “porta de entrada” para o som da banda.
Deb Babilônica canta ao lado de
Bi,
Gui Toledo e
Filipi Fi. Com letras em inglês e cantando em meio à roda punk,
Deb reforça quanto se inspirou em tantas outras bandas com mulheres e que no festival porque não fazer parte da inspiração para tantas outras mulheres que estavam ali assistindo.
Nas pausas entre a preparação do palco de uma banda para outra, o som continuou composto por bandas compostas por mulheres tanto da cena BR quanto internacional. Diversificando em seu estilo e mantendo o propósito do festival, reforçando que não faltam opções.
Com músicas rápidas diretamente de Florianópolis, o duo
Dirty Grills é composto por
Mariel Maciel
(bateria e voz) e
Jéssica Gonçalves
(guitarra e voz). Mostrando que a qualidade não depende da quantidade, com letras ácidas que criticam não só os fascistas ao nosso lado, como também os caras da cena que deveriam ser nossos aliados. O suco do harcore a plenos pulmões.
Ratas Rabiosas além de chamarem mulheres ao front, é composta pelo trio Angelita, Lary e Mona Trindade. Com a essência do hardcore, trouxeram letras em português antifas e feministas, homenageando grandes mulheres da luta como Malala e Marielle Franco. Destaque para a música “Mulheres Punks” que soou como um hino ao público-alvo do festival.
Mesmo sem lotar a casa, o público crescente de mulheres de diversos estilos encheu o coração ao olhar para o lado e conferir a diversão e respeito que tanto buscamos nos demais rolês sendo underground ou não. Aumentando ainda mais o desejo por outras edições do festival, para que o público feminino e LGBTQIAP+ possa não só ter um lugar pra chamar de seu, mas conhecer nomes na música que estão ao nosso lado.
The Mönic, além da parte organizadora do festival, trouxe a bandeira LGBT ao palco e muita presença de palco.
Dani Buarque,
Ale,
Joan
e
Daniely Simões
crescem aos olhos do público com um punk melódico e enérgico ao tocarem novas músicas e convidarem parceiras da cena como
Camila Andrade
(Charlotte Matou um Cara) e
Olivia Yells.
Além, claro, da invasão de palco da Maitê, uma criança fofíssima que chamou atenção e deixou um recado implícito: a nova base vem forte.
A grande atração internacional veio com Destroy Boys, fazendo sua estreia no Brasil. A banda estadunidense possui quatro álbuns que sempre representam o fechamento de um ciclo e o amadurecimento de seus integrantes. Formada em 2015 por Alexia Roditis e Violet Mayugba, quando ambas tinham apenas 15 anos, a banda mistura elementos do grunge, punk, garage, entre outras referências sonoras e letras críticas. Atualmente com colaboração de David Orozco e Narsai Malik.
Ganhando notoriedade no TikTok e Spotify, a banda já esteve ao lado de diversos outros músicos de longa data e fama. Assim como participação em diversos festivais grandiosos com várias turnês mundiais na conta. Hoje com o selo da Epitaph Records, continuam cantando revoltas sobre abusos dentro da indústria da música.
Mesmo com o palco desfalcado por problemas de saúde de alguns membros (sendo
Violet
um deles), a banda honrou seus ancestrais musicais e cuidou do público: pedindo que denunciasse qualquer forma de assédio, já que este era um espaço para segurança e diversão. Indicada ao Grammy e aliada de diversas pautas sociais, a banda fechou o festival com aquilo que fazemos com maestria: gritar nossas revoltas e desejos através da música.
Não tem Banda Com Mina Fest prova que é nosso direito ocupar todos os lugares, principalmente a cena underground tão dominada por homens que insistem em dizer que apoiam, mas não largam o osso. As mulheres em cima do palco reafirmam a necessidade da união entre seus frequentadores: o mundo lá fora é cruel com as mulheres e devemos nos lembrar de que “é nós por nós”.
Energia, diversão e crítica social transbordaram por todas as apresentações que trouxeram representatividades diversas. Com um lineup que dá o recado por si de que por mais que tentem, mulheres continuarão gritando, fazendo barulho e música de qualidade. As próximas gerações terão cada vez mais de onde beber inspirações quando se trata de banda com minas. Não só temos bandas com minas, temos muitas que criam, protestam e transformam em som as experiências coletivas.
Vida longa ao festival, que até suas edições menores continuem chegando a mais mulheres de todas as idades. A
New Direction Productions acertou na realização, uma pena que não deu SOLD OUT (o que nunca é tarde para acontecer no futuro).











