Maestrick transforma “Zion” em fábula sobre inteligência artificial, poder e luto
Faixa acompanha cientista que transfere a consciência do filho para um mundo virtual e inaugura nova fase conceitual da banda
Créditos foto: Mario David
via Tedesco Mídia
Desde a estreia, em 6 de outubro, ‘Zion’ deixou de ser apenas o mais recente single do Maestrick para se tornar o retrato da fase que a banda vai consolidar no quarto álbum de estúdio, previsto para o segundo semestre de 2027 pela gravadora italiana Frontiers Records. A música entrou de imediato no repertório ao vivo, já foi apresentada a plateias de seis países e indica o caminho do próximo disco: uma banda mais pesada e moderna, que trata de temas urgentes do presente, como inteligência artificial, a concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia e a fronteira cada vez mais borrada entre consciência humana e máquina.
Os próximos shows do Maestrick na turnê são em 6 de novembro, em Apeldoorn, na Holanda (Brainstorm Festival), e em 27 de novembro, em Oslo, na Noruega (Rockefeller).
O show norueguês encerra a Lunare Tour, iniciada em 2025, e será gravado para um novo material audiovisual ao vivo, com possibilidade de DVD.
Até novembro, o Maestrick conta em palco com a participação do guitarrista Caio Kehyayan (Roy Khan, Firewing).
Sobre Zion
A letra acompanha um cientista que, diante do filho à beira da morte e da indiferença das big techs que ajudou a construir, cria um mundo virtual e transfere para lá a consciência do menino, para mantê-lo vivo enquanto busca a cura. Dentro dessa criação, o filho passa a ter acesso a todo o conhecimento disponível e entra em conflito sobre o papel do ser humano no mundo.
“No final da música, ele se torna Zion, uma entidade que pretende recriar a sociedade de acordo com sua visão egocêntrica”, explica Fábio Caldeira, vocalista, pianista e fundador do Maestrick.
Sinfônico e eletrônico
"'Zion' traz o lado sinfônico do Maestrick, influenciado por compositores como Hans Zimmer e Gustav Holst", define Fábio. A faixa avança sobre timbres modernos nos instrumentos e nos vocais, e elementos de música eletrônica e atmosférica aproximam a banda de nomes como Muse, Vola, Spiritbox e Bad Omens.
A produção, a mixagem e a masterização são de Adair Daufembach.
O resultado aprofunda uma transição que já se insinuava em "Lunare": um Maestrick mais pesado, moderno e sintonizado com o metal contemporâneo, sem abrir mão da complexidade e da teatralidade que marcam sua obra.
De faixa bônus a single
'Zion' nasceu durante a composição de "Espresso Della Vita", projeto conceitual dividido em dois discos, "Solare" (2018) e "Lunare" (2025).
"A ideia inicial dessa música me surgiu no processo de composição do 'Espresso Della Vita'. Ela seria uma das faixas do 'Lunare', mas, por não estar finalizada, acabou ficando de fora", lembra Fábio.
Quando a banda fechou com a Frontiers, a música foi retomada para ser faixa bônus da edição japonesa de "Lunare".
"Comecei a trabalhar em uma roupagem mais moderna e agressiva para ela, nos moldes do que tínhamos feito no 'Lunare'", conta. Como o disco já estava fechado conceitualmente, a narrativa da letra mudou junto com o novo arranjo.
"Quando estávamos com a música pronta, percebemos que ela soava como o próximo passo natural do Maestrick", diz o músico. A sugestão de transformá-la em primeiro single do próximo álbum partiu do empresário da banda e foi aceita pela gravadora. Assim, a faixa que quase fechou um ciclo virou a porta de entrada do seguinte.
O clipe
Dirigido e roteirizado pelo cineasta Mário David, o videoclipe é a maior produção audiovisual da história do Maestrick. O filme traduz para a tela o universo de 'Zion', com fotografia cinematográfica, atmosfera sci-fi e a máscara de círculo vermelho que se tornou o primeiro símbolo dessa nova fase.
O guitarrista Gabriel Veloso (Fabio Lione, Storia) faz participação especial.
No palco
‘Zion’ entrou de imediato no repertório ao vivo do Maestrick. A banda levou a música à turnê “The Black Halo and Beyond”, na qual abre as noites com repertório próprio e depois acompanha o norueguês Roy Khan (Conception, ex-Kamelot) como banda de apoio.
No palco, a faixa mostrou o lado mais moderno e pesado da banda e dividiu o set com músicas de “Lunare”, como “Upside Down”, “Agbara” e “Ethereal”.
Em Santiago e Buenos Aires, onde o Maestrick tocou pela primeira vez, a música foi recebida com entusiasmo pelas plateias.
A parceria com Khan começou em estúdio. O vocalista cantou em “Lunar Vortex”, faixa de “Lunare”, e apareceu no videoclipe da música, experiência inédita em sua carreira, segundo a banda.
Em 2025, convidou o Maestrick para ser sua banda de apoio no primeiro show de sua carreira solo, com ingressos esgotados no Tokio Marine Hall, em São Paulo, noite que rendeu o vídeo “Soul Society (Live in São Paulo)”.
Ficha técnica
Música: "Zion"
Formato: single e videoclipe
Lançamento: 6 de outubro de 2026
Álbum: quarto disco de estúdio do Maestrick (previsto para o segundo semestre de 2027)
Gravadora: Frontiers Music
Composição e arranjo: Maestrick
Produção, mixagem e masterização: Adair Daufembach
Direção e roteiro do clipe: Mário David
Participação especial no clipe: Gabriel Veloso
Formação: Fábio Caldeira (vocais, piano e orquestrações), Renato Montanha (baixo), Charles Soulz (teclados) e Chris Oliveira (bateria)
Instagram: @maestrickofficial
Maestrick: biografia
Criado em 2006 por Fábio Caldeira, em São José do Rio Preto, o Maestrick construiu uma linguagem própria a partir do encontro entre metal progressivo, música brasileira, world music, música clássica e referências de cinema e teatro. A banda estreou com "Unpuzzle!" (2011), disco que chamou a atenção da imprensa especializada, e lançou em 2015 o EP "The Trick Side of Some Songs", com releituras de artistas que a influenciaram.
Em 2018, veio "Espresso Della Vita: Solare", lançado na Ásia pela japonesa Marquee/Avalon e primeira parte de um conceito que usa uma viagem de trem como metáfora da vida: as 12 faixas representavam as horas do dia. "Lunare", a parte noturna, saiu em 2 de maio de 2025 já pela Frontiers, com 12 faixas, 1h18 de duração e temas mais sombrios, como vício, preconceito racial, abuso e Holocausto.
O disco foi bem recebido fora do país. A finlandesa Tuonela Magazine o apontou como um dos trabalhos mais fortes do metal progressivo cinematográfico em 2025, e o The Prog Report destacou o nível de detalhe do álbum, comparável ao de um filme ou de um romance.
No palco, a banda acumula passagens por festivais como ProgPower USA (Atlanta, onde estreou em 2025), ProgPower Europe (Holanda), Bangers Open Air (São Paulo), Abril Pro Rock (Recife, ao lado do Movimento Baque Mulher), Lima Prog Fest (Peru) e La Plata Prog (Argentina).










