Eloy Casagrande relembra audição para o Slipknot: “Eu não sabia o que eles estavam procurando”
Baterista detalha incertezas iniciais, pressão do primeiro ensaio e processo até assumir identidade própria na banda
Foto: @eloycasagrande
Adaptado via Blabbermouth
O baterista brasileiro Eloy Casagrande relembrou em detalhes como foi o processo de audição que o levou ao Slipknot em 2024, destacando a falta de direcionamento inicial e a necessidade de equilibrar respeito ao legado da banda com sua própria identidade musical.
Em entrevista ao Drum Bash, da Thomann, Eloy explicou que sua principal preocupação ao chegar para o teste era justamente não saber qual abordagem a banda esperava:
“Quando fui convidado para fazer a audição para o Slipknot, eu não sabia como eles queriam que a bateria soasse, o que estavam procurando, se queriam apenas um substituto para o Joey ou para o Jay, ou se queriam uma personalidade nova na bateria. Essa foi minha maior preocupação no começo — como eu iria abordar as músicas. Se eu poderia colocar a minha identidade ou se precisava respeitar totalmente os arranjos originais.”
Diante desse cenário, o músico optou inicialmente por uma abordagem mais conservadora, priorizando a fidelidade às gravações:
“Quando cheguei para a audição, eu sabia todas as músicas, mas também sabia coisas que poderia mudar. Só que, no começo, tentei ser o mais respeitoso possível com os arranjos originais. Não mudar nada.”
Com o passar do tempo, essa postura começou a se transformar, à medida que a própria banda passou a incentivar uma abordagem mais pessoal:
“Depois de alguns meses, comecei a mudar pequenas coisas. E a banda gostou disso. Eles também queriam uma personalidade diferente na bateria. Queriam o Eloy tocando — não alguém tentando ser um dos bateristas anteriores.”
O processo de entrada no Slipknot também foi marcado por uma preparação intensa em um curto espaço de tempo. Eloy revelou que teve cerca de duas semanas para aprender um repertório extenso antes do primeiro ensaio:
“Eu tive uns 15 dias para aprender as músicas. Eles me deram uma lista grande, e a cada ensaio a gente testava coisas diferentes, de álbuns diferentes.”
O primeiro contato com a banda, no entanto, foi impactado pelo nervosismo:
“Eu lembro do primeiro dia. Eu estava aquecendo no estúdio quando os caras começaram a chegar… e eu entrei em choque. Quando tocamos a primeira música, cometi vários erros. Eu não conseguia pensar, não conseguia nem respirar.”
Segundo ele, a reação dos integrantes foi fundamental para que conseguisse se adaptar rapidamente:
“Eles falaram: ‘A gente entende que você está numa situação difícil. Relaxa, se diverte. Estamos aqui para sentir a vibe.’ A partir do segundo dia, tudo melhorou.”
Outro fator determinante foi a ausência de qualquer conversa prévia com a banda antes da audição, o que exigiu uma preparação abrangente:
“Eu não tive a chance de conversar com a banda antes. Só conheci todo mundo no primeiro dia. Então precisei estar preparado para tudo.”
A experiência também reforçou sua visão sobre o equilíbrio entre técnica e identidade artística. Embora reconheça a importância de respeitar estruturas clássicas, Eloy deixa claro que valoriza a liberdade criativa:
“Algumas coisas são muito clássicas — você não deve mudar. A estrutura, a essência da música, isso não pode ser alterado. Mas eu me sinto muito melhor quando tenho liberdade musical, quando posso ser eu mesmo, pelo menos um pouco. Eu sempre quis estar em bandas onde eu pudesse me expressar, não ser apenas um músico contratado.”
Ao mesmo tempo, o baterista destaca que a capacidade de adaptação sempre fez parte de sua trajetória:
“Se eu precisar tocar exatamente igual, eu consigo. Já fiz isso muitas vezes, inclusive no começo da minha carreira, em gigs de pop, country, gravações… mas é diferente quando as pessoas querem ouvir o que você tem a dizer.”
A entrada no Slipknot também representa um marco pessoal. Fã da banda desde a adolescência, Eloy relembra o impacto que o grupo teve em sua formação musical:
“Eu escuto Slipknot desde que era adolescente. Isso foi muito importante para a minha formação musical. Quando eu tinha uns 12 anos, vi ‘Duality’ na MTV e aquilo explodiu minha mente.”
Hoje integrante oficial da banda, ele reconhece o caráter improvável da oportunidade:
“Eu nunca imaginei que isso fosse possível. Eu moro no Brasil, é uma banda americana… foi estar no lugar certo, na hora certa. É uma honra enorme estar aqui.”
A entrada de Casagrande no Slipknot ocorreu após sua saída do Sepultura em fevereiro de 2024, poucos dias antes do início da turnê de despedida do grupo brasileiro. Desde então, o baterista passou a integrar oficialmente uma das principais bandas do metal contemporâneo, assumindo a vaga deixada por Jay Weinberg e contribuindo para uma nova fase sonora do Slipknot.
No Brasil, a estreia do músico ocorreu em uma das principais apresentações do Slipknot pelo Brasil, em um especial de dois dias no Knotfest de 2024.









