Doppelganger: o disco de “auto-covers” que redesenhou o post-hardcore

Dando uma segunda chance para as músicas de seu álbum homônimo de 2003, The Fall of Troy expandiu as barreiras de seu estilo

Crédito foto: Divulgação


Vivemos em uma época estranha, onde atores que não querem receber prêmios mandam maquiadores para outros países e chocam a internet, onde todo jogador de futebol de expressão nacional mínima tem direito a um sósia na internet; o tema dos “doppelgangers” parece sempre estar em pauta. De acordo com fontes hiper-confiáveis da internet (Wikipedia), um doppelganger é “um sósia ou duplo não-biologicamente relacionado de uma pessoa viva, por vezes retratado como um fenômeno fantasmagórico ou paranormal e geralmente visto como um prenúncio de má sorte, ou ainda para se referir ao "irmão gêmeo maligno" ou ao fenômeno da bilocação.” Para os fãs de post-hardcore (ou emos, como seu tio ‘do rock’ chamaria), é um marco na história do gênero.

 

O cenário era promissor para os nativos de Washington. Já haviam feito um certo barulho na então nova cena do post-hardcore, apresentando um som torto e caótico, à lá os melhores do mathcore, mas de maneira não tão impiedosa quanto um Converge, por exemplo. Os tappings esquisitos e acordes panicados traziam aquela bagunça que todo fã desconstruído de prog curte, mas além dos riffs, Thomas Erak (tão genial quanto maluco, diga-se de passagem) também usava sua voz em refrãos limpos, que não eram algo tão comum assim no estilo; pelo menos da maneira executada pelo TFOT.

Depois do lançamento do disco homônimo em 2003, o trio (à época Erak, Tim Ward e Andrew Forsman) preparava mais um projeto ambicioso, dessa vez, um EP conceitual de 5 capítulos. Tudo caminhava tranquilamente, mas a internet fez com que a vida da banda fosse dificultada, quando as demos do projeto foram vazadas e lançadas como o “Ghostship Demos”, EP bootleg. Esta visão iria eventualmente ser lançada da maneira que a banda gostaria, sendo ela “Phantom on the Horizon”, de 2008. Visto essa troca brusca de planos, o que poderia ser visto pelos fãs naquele tempo como apenas um lançamento “tapa-buraco” viria a mudar o rumo deles completamente, expandindo o que poderia ser o post-hardcore.

 

Esse lançamento seria “Doppelganger”, petardo de 11 faixas, 5 delas regravadas. Do primeiro disco, voltaram “Mouths Like Sidewinder Missiles”, “Whacko Jacko Steals the Elephant Man’s Bones”, “I Just Got This Symphony Going” e por último mas longe de menos importante, “F.C.P.S.I.T.S.G.E.P.G.E.P.G.E.P.” (não, a sigla não quer dizer nada mesmo), que seria de certa forma abreviada para “F.C.P.R.E.M.I.X.” Além de um clipe que se tornaria queridinho da MTV americana, indo na contramão do mainstream, essa música se tornaria clássico cult entre os gamers, aparecendo no primeiro Saints Row, no MLB 2K6 e no icônico e impecável Guitar Hero III: Legends of Rock, jogo formador de caráter.

Em relação ao som das novas versões, elas apresentavam um refinamento maior do que antes, uma banda mais madura, que confiava mais em seu som. Ao lado disso, veio também uma sensação maior de urgência, mais caos, mas mesmo assim, uma certa organização - era um caos controlado. Em uma restrospectiva do site Kill the Music, Erak comentou:

 

“Com certeza, este foi o nosso álbum de estreia, em termos de visibilidade e popularidade. Pessoalmente, acho que ele reforçou a ideia de que podíamos experimentar e amadurecer ao mesmo tempo… Com certeza me senti empolgado, mas também nervoso sobre como seria recebido. Entramos em um território desconhecido e nos sentimos muito orgulhosos.”

 

Já ao The Independent, abordou também o Guitar Hero:

 

“Não planejamos nada assim, simplesmente aconteceu... Estávamos na época em que Guitar Hero era um grande sucesso e isso realmente aumentou nossa visibilidade. Sou muito grato por toda essa experiência, porque não acho que uma banda como a nossa teria chegado onde chegou hoje sem isso.”

 

É esse contraste entre a espontaneidade e ordenamento que dá ao disco seu som próprio. De acordo com o vocalista, ele surgiu “assim como sempre fizemos, grande parte do processo criativo envolve improvisar ideias isoladas e deixar que elas tomem forma naturalmente, enquanto outras partes são específicas e meticulosamente planejadas. Mais uma vez, brincamos com nossa estrutura de composição.”

 

Conforme discutido, a situação da banda era bastante favorável:


“Éramos jovens e alcançamos um sucesso que nunca imaginamos. Todos os nossos amigos e familiares estavam muito orgulhosos e animados por nós. Foi uma época muito rápida e, às vezes, confusa, mas também foi muito legal receber algum reconhecimento…”

 

Com isso, vem a pergunta: se a banda estava tão confiante na qualidade do seu trabalho, para que regravar músicas antigas?

 

“A Equal Vision nos obrigou a regravar o que eles consideravam as músicas "fortes" do nosso primeiro disco... se dependesse de nós, haveria quatro músicas adicionais no ‘Doppelgänger’. Isso nos fez sentir meio idiotas.”

 

Agora, mais de 20 anos depois, a banda faz sua estreia no Brasil, agora, neste domingo (8), prometendo um show incrível, contemplando não só “Doppelganger” (que já teve uma turnê especial de 20 anos pela gringa no ano passado), mas também, os outros lados de seu repertório, confira:

 

SERVIÇO

The Fall of Troy em São Paulo

 

Data: Domingo, 08 de março de 2026

 

Horário: 18h30 (abertura da casa) | 20h (show)

 

Local: Carioca Club

 

Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros, São Paulo – SP

 

Venda: clubedoingresso.com/evento/thefalloftroy-saopaulo

Ingressos em 1º lote

 

Pista:

Meia-entrada: R$ 220,00

Solidário (doe 1kg de alimento não perecível): R$ 220,00

Inteira: R$ 440,00

 

Camarote:

Meia-entrada: R$ 270,00

Solidário (doe 1kg de alimento não perecível): R$ 270,00

Inteira: R$ 540,00

 

Classificação etária: 18 anos

the fall of troy no brasil