Bruno Sutter Executa 50 anos de Iron Maiden (SP)
Celebrando 50 anos da Donzela de Ferro
Texto por: Rato de Show
Fotos por: Senhora Rato
Agradecimentos: TRM Press
Um projeto cover é, sem dúvida, a porta de entrada de muitas pessoas ao universo da música. Desde as aulas tentando arranhar riffs, melodias ou notas das músicas favoritas, até aquela primeira banda com amigos de escola ou conhecidos da internet, que vão se aperfeiçoando guiados pelos trabalhos de grandes lendas do rock e do metal.
Muitas vezes, o amor e a admiração se tornam dedicação e até renda extra, com aqueles que navegam pela noite boêmia fazendo suas interpretações e animando casas e bares. Do bar da esquina da vila ao pub mais badalado do centro, muitas vezes o que traz giro são justamente essas interpretações e tributos.
Existem aqueles que utilizam esse começo como trampolim para a criação de material autoral, assim como há os que, de tão fidedignos, chegam a excursionar pelo próprio país e até pelo mundo, conseguindo, muitas vezes, o selo de aprovação e até a oficialização por parte das bandas originais.
Mas um movimento que acontece com bem menos frequência é ver artistas já estabelecidos e conhecidos por seu trabalho autoral fazerem o caminho inverso: realizar tributos a determinadas bandas.
Este é o caso de Bruno Sutter, figura conhecida do metal nacional como o Filho do Deus Metal, Detonator, nos vocais do Massacration e também por seu trabalho solo, igualmente interessante. Somado a esses projetos, nos últimos anos Bruno vem realizando algumas apresentações em formato tributo, entre elas, pasme você, uma dedicada ao Death e outra ao Iron Maiden, um nome que definitivamente dispensa quaisquer introduções ou explicações.
O
“Bruno Sutter Executa Iron Maiden” já é um projeto ativo, mas que até então nunca havia passado pela capital paulista. E, justamente agora, em plena celebração dos 50 anos do Iron Maiden,
Bruno
vem excursionando pelo Brasil com uma proposta intimista e mais abrangente do que a que o próprio
Maiden
vem executando em seus setlists. Para celebrar este momento, o músico ousou ao ocupar o
Carioca Club, casa conhecida por trazer experiências próximas e intensas ao público paulistano.
Um ponto que logo de cara se destacou foi a sensibilidade de, mesmo em um evento tributo a uma das maiores bandas do mundo, abrir espaço para a nova geração. A noite contou com a abertura da Nova Cora, banda paulistana de metal que mescla elementos do metal melódico e sinfônico em uma construção equilibrada e moderna.
Comandados pela poderosa voz de Carolina Corteze, ao lado de João Michelin (guitarra), Desirée Nóbrega (baixo), César Bolfarini (teclados) e Yago Cefaly (bateria), o quinteto jovem mostrou-se claramente comprometido com sua sonoridade e visão artística. A apresentação passou por seu álbum de estreia, Elementum (2024), revelando diversas facetas da banda, do mais calmo e etéreo ao peso de arranjos mais complexos e agressivos, sempre carregados de forte emoção, fosse nas execuções mais melodiosas conduzidas por Carolina, fosse nos guturais mais sombrios de César.
Entregando uma performance carismática,
Carolina
e
Desirée
puxavam a liderança na interação com o público, engajando uma plateia que apresentava seus desafios. Afinal, falar de
Iron Maiden é falar de um público bastante diverso, que ia dos mais jovens, abertos e curiosos, até os mais velhos, alguns claramente mais difíceis de conquistar, mas que ainda assim se mantiveram atentos à proposta sonora.
Com cartas bem posicionadas na manga, a banda soube equilibrar o momento entre a apresentação do material autoral e a exposição de suas referências, fosse nos covers de Nightwish, com Wish I Had an Angel e Phantom of the Opera, ou na inesperada e altamente técnica Hunting High and Low, do Stratovarius, colocando João no centro das atenções de forma que certamente arrancaria um sorriso de Timo Tolkki.
Com um range vocal versátil, transitando entre graves encorpados e agudos dignos de uma mezzo-soprano,
Carolina
se destacou dentro de um contexto muito bem amarrado, sustentado pelos arranjos de teclado e pela condução rítmica precisa do baixo e da bateria, que estavam simplesmente no ponto. Menção honrosa a
Abismo, música tocada em português que adicionou ainda mais camadas, transformando a banda em um pequeno camaleão em que você realmente não sabe bem o que esperar à medida que esta vai se revelando.
Após uma breve espera, embalada pelos vídeos natalinos do Detonator exibidos nas TVs da casa, as cortinas se abriram novamente, desta vez com a banda Vienna no palco. Naturais de Atibaia, o grupo formado por Marcelo Alfonsi e Richard Hrdlicka (guitarras), Raphael Caleb (baixo) e Leonardo Pasquali (bateria) foi o time escolhido para dar suporte a Bruno, que já chegava com sua energia característica, sorriso no rosto e, como sempre, um gogó potente.
A primeira leva de músicas já entregou mais do que prometia, com Caught Somewhere in Time, 2 Minutes to Midnight e Man on the Edge. Esta última, inclusive, já fugia da proposta dos shows atuais do Iron Maiden, ao tocar um álbum do The X Factor (2015), reforçando a ideia de uma homenagem mais ampla ao acervo da Donzela, que neste sentido passou ainda pelo Senjutsu (2021), The Book of Souls (2015), dentre outras pérolas da discografia.
Com uma banda de suporte que dispensa comentários no que tange à técnica e potência sonora, ainda assim não havia figura de maior destaque do que o próprio
Bruno, dando um verdadeiro show vocal. Sua versatilidade e força não surpreendem quem já acompanha seus outros projetos, mas aqui se encaixavam perfeitamente tanto nas músicas da era
Dickinson quanto
Di’Anno e até
Bayley, mantendo similaridades sem cair no mimetismo. Era simplesmente
Sutter
sendo
Sutter.
E talvez esse tenha sido o caminho mais acertado. Não havia ali a intenção de imitar, mas de interpretar. Diferente do Massacration, onde a comédia e a brincadeira têm espaço garantido, aqui a energia vinha da celebração. Bruno parecia servir como um receptáculo para reverenciar os 50 anos de estrada de um dos principais nomes do metal mundial.
Daí em diante, foi puro suco de Maiden. De The Trooper a Killers, passando por Phantom of the Opera, Flight of Icarus, Wasting Love, Wasted Years e Speed of Light. Esses últimos ainda contaram com a participação especial de Alexandre Russo, um dos produtores e engenheiros de som mais renomados do país e também guitarrista afiadíssimo, que, mesmo humilde nas palavras, se divertia visivelmente enquanto “tremia como vara verde”, em suas próprias palavras.
Nesse ínterim, tivemos também a participação da
The Beast Experience, uma das bandas tributo ao
Iron Maiden mais reconhecidas do Brasil. Era possível sentir a dedicação não apenas na técnica, mas na paixão expressa nas vestes, nos instrumentos e na entrega em palco. Ao lado de
Bruno, executaram
Powerslave,
The Wicker Man,
Bring Your Daughter… to the Slaughter e
Iron Maiden, com a reação do público sendo imediata. Todos pulavam de um lado para o outro aos comandos de
Sutter, em um quase uníssono entre plateia e vocalista.
Caminhando para a reta final, outro grande nome do metal nacional subiu ao palco: Jéssica Falchi. Apaixonada declarada pela Donzela, assumiu a terceira guitarra já em Aces High, revitalizando até os mais cansados após uma longa noite. Impressionava ver o vigor daqueles com cabelos mais grisalhos, provando que idade é apenas um número, de preferência, o da Besta.
Nesse embalo, The Number of the Beast, Fear of the Dark, Hallowed Be Thy Name e Run to the Hills formaram uma sequência avassaladora que arrancou o último fio de suor de todos os presentes. O show mais parecia uma grande festa, uma celebração não só do Iron Maiden, mas também de um momento especial na carreira de Bruno Sutter e, principalmente, da confirmação oficial da volta do Iron Maiden ao Brasil, marcada para o dia 25 de outubro de 2026, anúncio feito no mesmo dia do evento.
Nada mais simbólico do que comemorar o assoprar de velas do
Iron
junto à confirmação de seu retorno ao país e tendo um show no mesmo dia com um intérprete tão apurado e energético quanto
Bruno. Mais do que uma aula, a apresentação mostrou que, de tempos em tempos, voltar às raízes para homenagear grandes influências não só funciona, como também revela novas camadas sobre o próprio artista. Fica a expectativa de que essa experiência não tenha sido vivida apenas uma vez em São Paulo.

Nova Cora - setlist:
- Secret of the Pine Forest
- Glazed Eyes
- The Way Back Home
- Ancient Road
- Enjoy
- Panic Nation
- Wish I Had an Angel (Nightwish cover)
- Phantom of the Opera (Nightwish cover)
- Abismo
- Hunting High and Low
Bruno Sutter Executa 50 anos de Iron Maiden - setlist:
- Caught Somewhere in Time (Iron Maiden cover)
- 2 Minutes to Midnight (Iron Maiden cover)
- Man on the Edge (Iron Maiden cover)
- The Trooper (Iron Maiden cover)
- Wrathchild (Iron Maiden cover)
- Killers (Iron Maiden cover)
- Stratego (Iron Maiden cover)
- Revelations (Iron Maiden cover)
- Phantom of the Opera (Iron Maiden cover)
- Flight of Icarus (Iron Maiden cover)
- Wasting Love (Iron Maiden cover)
- Wasted Years (Iron Maiden cover)
- Speed of Light (Iron Maiden cover)
- The Evil That Men Do (Iron Maiden cover)
- Powerslave (Iron Maiden cover – com The Beast Experience)
- The Wicker Man (Iron Maiden cover – com The Beast Experience)
- Bring Your Daughter… to the Slaughter (Bruce Dickinson cover – com The Beast Experience)
- Iron Maiden (Iron Maiden cover – com The Beast Experience)
- Aces High (Iron Maiden cover – com Jéssica Falchi)
- The Number of the Beast (Iron Maiden cover – com Jéssica Falchi)
- Fear of the Dark (Iron Maiden cover – com Jéssica Falchi)
- Hallowed Be Thy Name (Iron Maiden cover – com Jéssica Falchi)
- Run to the Hills (Iron Maiden cover – com Jéssica Falchi)








