Andreas Kisser revela que novo EP do Sepultura foi gravado durante turnê de despedida

“The Cloud of Unknowing” nasceu de jams em estúdio em Miami e reflete nova fase criativa da banda

Créditos foto: Divulgação

via Top Link Music


O guitarrista Andreas Kisser revelou um dos fatos mais surpreendentes da fase final do Sepultura: a gravação de um trabalho inédito em meio à turnê de despedida. Durante entrevista ao programa Assino Embaixo, Kisser contou que a banda registrou quatro faixas novas, reunidas no EP The Cloud of Unknowing, em um processo livre, espontâneo e sem as amarras tradicionais da indústria fonográfica. Segundo ele, o projeto nasceu de uma combinação rara entre liberdade criativa, sintonia interna e vontade de experimentar.


Assista trecho da entrevista abaixo.

Andreas explicou que o novo trabalho surgiu após a participação do grupo no cruzeiro 70,000 Tons of Metal. Aproveitando a passagem por Miami, os músicos entraram em estúdio e desenvolveram o material praticamente a partir de jams, sem um conceito fechado, cronograma rígido ou interferência externa.


“Nós entramos no estúdio e foi 100% uma jam entre os músicos”, afirmou. Ele também ressaltou que a banda não tinha nem título definitivo para o material quando começou a gravação: “Não tinha nome do disco, não tinha nome pras músicas, não tinha data de lançamento”.


Ao comentar esse processo, Andreas reforçou que a liberdade foi essencial para o resultado. “Nós mesmos financiamos alguma coisa e isso foi uma liberdade geral”, disse. Segundo o guitarrista, o ambiente no estúdio favoreceu uma criação orgânica, marcada pelo encontro entre os músicos e por uma dinâmica aberta a diferentes influências. “O encontro musical já é muito legal, muito interessante. Tem vários ritmos, o clima da conversa está maravilhoso”, resumiu, ao destacar o caráter espontâneo da gravação.


O guitarrista destacou ainda que a chegada do baterista Greyson Nekrutman teve papel decisivo nessa retomada criativa. De acordo com Andreas, o músico trouxe uma abordagem diferente, com forte influência do jazz e grande interesse pela música brasileira, o que acabou renovando a dinâmica interna do Sepultura. “A gente teve uma química tão foda com o Grayson que fez todo sentido”, declarou. Para Kisser, a presença do novo integrante ajudou a abrir caminhos inéditos para os arranjos e para a própria identidade sonora da banda nesse encerramento de trajetória.


Andreas também indicou que essa nova química não ficou restrita à execução técnica, mas influenciou diretamente a concepção musical do EP. Ao descrever Greyson como “um músico fenomenal, uma expressão fenomenal”, o guitarrista apontou que o entrosamento atual da banda criou uma ideia diferente para o Sepultura, ampliando possibilidades justamente em um momento que poderia ser apenas de retrospectiva. Em vez disso, a turnê de despedida acabou abrindo espaço para criação, risco e renovação.


Além do aspecto musical, Andreas associou o título The Cloud of Unknowing a uma reflexão contemporânea sobre tecnologia, espiritualidade e experiência real. Segundo ele, o nome faz referência a um movimento cristão medieval e dialoga com o momento atual, em que as pessoas muitas vezes confundem representação com vivência. Na visão do guitarrista, o novo trabalho propõe justamente um olhar mais direto e humano sobre a realidade, sem mediações artificiais.


Mesmo em clima de despedida, Andreas mostrou entusiasmo ao falar sobre o lançamento. Para ele, o EP representa não apenas mais um registro da história do Sepultura, mas também uma prova de que a banda permanece inquieta, relevante e artisticamente viva até seus últimos passos.


“Pra mim, como músico, é o que eu mais amo, é um desafio”, afirmou. Kisser ainda resumiu o espírito do projeto com uma frase que sintetiza essa fase final: “Quando você consegue ter esse privilégio de exercer a arte por si própria, nós pegamos essa chance e fizemos”.



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