Amarvida estreia com “Pergunta Lá Para Os Seus Heróis”, primeiro single de Lucas Arissa

Ex-integrante do Hurry Up mistura emo, indie e post-rock em projeto autoral após 13 anos na banda punk

Créditos foto: Divulgação

via Tedesco Mídia


Quando as luzes do palco se apagam, o que sobra das pessoas que a gente idolatra? É com essa provocação que o AMARAVIDA se apresenta ao público. 'Pergunta Lá Para Os Seus Heróis', primeiro single do projeto criado pelo músico e compositor Lucas Arissa, chega às plataformas digitais no dia 2 de outubro. É o primeiro lançamento de Lucas depois de 13 anos na banda punk Hurry Up, de Americana (SP), e de um longo período longe dos palcos.


O pre-save já está disponível: https://snd.click/zr6i.


O AMARAVIDA é o projeto autoral de Lucas, 34 anos, tradutor, professor de idiomas e formado em Letras, hoje morando em Praia Grande, no litoral paulista. Ele compõe, produz e convida outros músicos para colaborar a cada canção.


"Pergunta Lá Para Os Seus Heróis", uma balada semi-acústica, entre violão e efeitos, foi a primeira música que escreveu depois de deixar o Hurry Up, em 2019, e abre o caminho para um segundo single, em novembro, e para um EP bilíngue.


"A ideia é simples: compartilhar, com o máximo de sinceridade, recortes da nossa vida que expõem a nossa humanidade. O que há de belo, grotesco, surreal e contraditório nisso tudo", resume Lucas.

Heróis de carne e osso

A canção se constrói em torno de uma pergunta repetida verso após verso, como um refrão que volta sempre com uma nova provocação. Um deles diz: "Pergunta lá para os seus heróis se tanto amor e promessa vale para depois da festa, quando as luzes do palco se apagam".


Lucas conta que a estrutura tem parentesco com um clássico da canção de protesto.


"O mote é sempre 'Pergunta lá para os seus heróis' e mais alguma provocação na letra. Algo meio 'Blowin' in the Wind', do Bob Dylan, que sempre começa com 'How many…'."


O alvo, porém, não são os ídolos, e sim o pedestal onde o público os coloca. "


A ideia não é criticar nossas referências, mas sim criticar nossa idealização delas, o que as desumaniza. Não estaríamos sendo injustos ao colocar em nossos heróis expectativas que eles mesmos nunca conseguirão cumprir por serem simplesmente pessoas como nós?", questiona.


A reflexão nasceu, ele confessa, de uma inquietação pessoal.


"Tive a sorte de conhecer vários dos meus heróis e cheguei à feliz conclusão de que são tão de carne e osso quanto os heróis que tenho na minha família. Isso me ajudou a crescer como ser humano."


Humano e divino

Lucas afirma que as canções do AMARAVIDA possuem sempre dois lados, o humano e o etéreo, buscando trazer uma realidade espiritual.


Em "Pergunta Lá Para Os Seus Heróis", entre os ídolos que falham e encantam justamente por serem humanos, surge a figura de Jesus Cristo como o herói que não decepciona, em versos como "se te conhecem por nome, se pagam sangue e morte apenas para te ver são e salvo em casa" e "e levou a minha surra no meu lugar".


"Agradeço a Ele, Jesus, igualmente humano e divino, que me disse um dia que é vida, verdade e o caminho sem o qual eu não estaria de pé hoje e não teria feito as canções que vocês vão ouvir", afirma.


É dessa ideia que vem o nome do projeto.


"AMARAVIDA é acolher todo momento da vida, bom ou ruim, sentindo tudo e escolhendo deliberadamente a postura do amor, da graça e da paz, por mais duro que isso possa ser. Espero conseguir fazer isso bem um dia."


A capa segue a mesma linha: uma praia sob um céu que Lucas descreve como "intimidante de tão lindo", com a silhueta de duas pessoas caminhando de mãos dadas.


"Diante da grandeza que existe em nossa vida, nossos heróis são capazes de nos segurar pela mão para enfrentar e se encantar pelo que vier pela frente? Me interrogo sobre isso mantendo a esperança eterna de que a resposta é sim."


Do punk ao violão

Lucas integrou o Hurry Up de 2006 a 2019, tocando um punk que ele mesmo define como emocional e catártico. Depois de sair da banda, passou a tocar apenas na igreja, onde o violão ganhou espaço sobre a guitarra. Ao mesmo tempo, conversava com o irmão sobre artistas como Elliott Smith e Death Cab for Cutie. "Estava com vontade de fazer uma música mais orientada pelo violão e pelo teclado", lembra.


A gravação aconteceu no Hup Sounds, estúdio e casa de shows de Americana criado pelos integrantes do Hurry Up e mantido até hoje por Cláudio Cestare Jr. As captações ficaram a cargo de Bruno "Menega" Meneghel. "Fiz questão de organizar essa gravação lá, com os caras que sempre me fortaleceram desde que comecei a tocar guitarra, aos 14 anos. Vida longa ao Hup! Bandas, conheçam esse local", diz Lucas.


A mixagem foi feita por Clay Borges, no Clay Borges Home Studio, em Praia Grande. O solo de trompete que encerra a faixa é de Giovane, antigo professor de trompete de Lucas.


Sublime e catártico

Entre o emo, o indie e o post-rock, a sonoridade do AMARAVIDA reúne violões intimistas, teclados profundos, trompetes singelos e guitarras distorcidas, alternando momentos contidos e explosões conforme a emoção de cada canção. No single de estreia, violão e teclado conduzem a música, e o trompete fecha a faixa.


"Sempre gostei de bandas que tinham a pegada mais lenta e profunda, com um som cadenciado, respeitando o espaço entre as notas e cantando baixinho, e isso não encaixava no punk emocional do Hurry Up", explica.


As referências desenham o repertório de quem começou a tocar em meados dos anos 2000. De um lado está o emo e o indie norte-americanos de Death Cab for Cutie, Dashboard Confessional, Jimmy Eat World, Motion City Soundtrack e Manchester Orchestra.


De outro, a canção intimista de Elliott Smith e do Bruce Springsteen de "Nebraska" (1982), o pop confessional de Alanis Morissette e o emo brasileiro de Cinedisco e Zander.


"Temos multidões dentro de nós mesmos, e a música permite a essas multidões conversarem entre si", define Lucas.


Próximos passos

"Pergunta Lá Para Os Seus Heróis" também ganha um lyric video no YouTube. Em novembro sai o segundo single, e na sequência vem um EP com seis faixas: três canções em português e suas versões em inglês.


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