A banda cult que conquistou o Helmet no auge da sua carreira
Peça fundamental para a formação do metal alternativo dos anos 90, o Helmet se tornou uma das maiores bandas “cult” da sua época, tal qual a banda que os impressionou em 1992
Crédito foto: Divulgação
São Paulo/SP recebe no dia 9 de maio (sábado), no Cine Joia, um encontro de duas trajetórias fundamentais do rock alternativo norte-americano. Vapors of Morphine, o legado do lendário Morphine e Dean Wareham, em um set especial dedicado ao Galaxie 500. A produção é da Maraty e os ingressos estão à venda no site da Fastix.
Ingressos: fastix.com.br/events/vapors-of-morphine-e-dean-wareham-em-sao-paulo
De todas as bandas do cenário do metal nos anos 90, o Helmet é certamente uma das mais influentes, sendo inspiração direta de grandes bandas como Korn, Deftones e System of a Down, chegando a ter músicas no primeiro Guitar Hero e até participações especiais em álbuns do Nine Inch Nails. Álbuns como Meantime de 1992 e Betty de 1994 consolidaram o som da banda, algo que até hoje soa atual, misturando cadência e peso na medida certa, mas com uma personalidade, quase uma esquisitice que os tornavam únicos. Ouvindo “Unsung”, ou “Milquetoast”, você entende exatamente de onde veio o “bounce” característico dos riffs noventistas.
No ano passado, nesta mesma época do ano, eles vieram ao Brasil para celebrar os 30 anos de Betty, tocando-o na íntegra, com um show espetacular no Carioca Club. Um pouco antes de desembarcarem no país verde-amarelo, tive a chance de entrevistar o vocalista e grande gênio por trás das composições, Page Hamilton, gente finíssima, por sinal, para a Roadie Crew. Conversa vai, conversa vem, já tínhamos falado da conexão da banda com o Brasil, o impacto de Betty, o impacto deles na cena de modo geral, o fato deles serem “mauricinhos do metal”, e por fim, do álbum Size Matters, que foi quando ele disse uma frase que me chamou muito a atenção:
“No começo, a minha intenção era ser algo como um ‘anti-compositor’, fiquei tão puto com as pessoas falando dos cantores-compositores, esse mundo do folk, com os ‘espertinhos’ tocando os mesmos 3 acordes que Bob Dylan e Woody Guthrie usaram, sabe? Não que tenha algo de errado com isso, mas eu não queria fazer isso, queria fazer algo único.”
Pegando esse gancho, respondi com uma pergunta simples, mas profunda:
“Aproveitando que você falou de ser um ‘anti-compositor’, a música popular hoje em dia soa bastante genérica e comercializada no geral. O que acha do mainstream musical atual?”
A réplica dele foi algo iluminador, aquelas coisas de “vou falar o que todo mundo quer falar, mas ninguém fala”. Ele disse não escutar muita coisa popular hoje em dia, tendo contato com esses artistas só por eventos midiáticos massivos, como o Super Bowl ou o Saturday Night Live (por conta da namorada dele, que adora o programa).
De acordo com o Page, “A originalidade deles está sempre atrelada em alguma firula, alguma manha, tipo ‘nós tocamos de cartola’ ou ‘usamos as calças com a bunda de fora’.” Realmente, vendo o sucesso de bandas como o Sleep Token ou até ossos novos queridinhos da cena, Angine de Poitrine (que eu também adoro, mas, convenhamos, não são os primeiros a explorar a microtonalidade), tenho que concordar com Hamilton quando disse rindo que “a música não é sobre isso”.
Um pouco mais à frente na conversa, ele começou a contar a história de quando conheceram Danny Kortchmar, produtor lendário que havia trabalhado com The Eagles, James Brown, Elton John e muitos outros. Na época, tanto ele quanto o Helmet estavam na editora Warner Chapell, e foram levados para um evento de compositores em Nashville. Rolou um show com vários dos maiores da editora, e o Page descreveu como “um lixo, horrível”. Naquela mesma noite, ia rolar outro show na mesma casa, do Morphine. Daqui pra frente, prefiro passar a palavra pro próprio Page…
“Jantamos, voltamos para a casa, pegamos uma mesa, sentei com nosso editor, Kenny, o Danny foi para o bar buscar uma cerveja e começaram a tocar Cure for Pain. ‘Um dia haverá uma cura para a dor, esse será o dia em que jogarei fora minhas drogas’. Eu olhei para o bar, Danny olhou para mim e ficamos tipo ‘uau!’ Ele sentou na mesa e viramos super fãs.
Depois do show, entramos no backstage, um camarim minúsculo, e fomos dar parabéns para os caras: ‘Vocês foram incríveis, adoraríamos levar vocês em turnê!’ Eles falaram que não abriam shows, só faziam seus próprios. Depois virei amigo deles também.
Ter esses momentos, em que você ouve algo que é tão único, tão bonito, tão incrível… falta muito disso nas bandas de hoje em dia. Não ligo muito porque tenho minhas próprias em que estou trabalhando e estou ouvindo, só ligo quando fico sujeito a outras músicas em algum espaço público ou quando minha namorada quer controlar o som do carro (risos).”
Para quem não conhece, o Morphine foi uma das bandas essenciais da cena de Boston nos anos 90. Contando com um baixo de duas cordas (tocado com slide), um saxofone barítono e uma bateria (sem guitarras), um som único, como o do Helmet. Seria exatamente com Cure for Pain que a banda teria seu maior impacto, posteriormente assinando com a gravadora da DreamWorks para o lançamento de Like Swimming (que veio depois do brilhante Yes, de 95).
Infelizmente, o baixista e vocalista Mark Sandman morreu de forma trágica durante um show em Palestrina, na Itália, mas o legado da banda segue vivo com Dana Colley e Jerome Deupree, saxofonista e baterista respectivamente, que tocam com o Vapors of Morphine. Honrando o legado de Mark e da banda, eles retornam ao Brasil em maio ao lado de Dean Wareham, confira:
SERVIÇO
Vapors of Morphine + Dean Wareham em São Paulo
Data: 9 de maio de 2026 (sábad0)
Horário: 20h (abertura da casa)
Local: Cine Joia
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82 - Liberdade, São Paulo
Ingresso:
Pista:
R$ 170,00 (1º lote, meia entrada estudante); R$ 180,00 (1º lote, meia entrada solidária); R$ 340,00 (1º lote, inteira)
Camarote:
R$ 220,00 (1º lote, meia entrada estudante); R$ 230,00 (1º lote, meia entrada solidária); R$ 440,00 (1º lote, inteira)
Venda: fastix.com.br/events/vapors-of-morphine-e-dean-wareham-em-sao-paulo
Mais informações
www.instagram.com/vaporsofmorphine

